Crise na Venezuela ganhou ‘dimensão global’, diz alta comissária de Direitos Humanos da ONU

  • Por Jovem Pan
  • 04/02/2019 15h17 - Atualizado em 04/02/2019 15h19
ONU/Jean-Marc FerreA ex-presidente do Chile, agora alta comissária da ONU para Direitos Humanos, diz-se preocupada com a situação na Venezuela e pede que países latinos mantenham as fronteiras abertas para imigrantes venezuelanos

Para a ex-presidente do Chile e atual alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, a crise política e econômica venezuelana atingiu novos patamares. Ela demonstrou preocupação com o quadro de tensão que o país apresenta. “[A crise] ganhou dimensões regionais e até globais”, disse durante reunião na sede das Nações Unidas, em Genebra, nesta segunda-feira (4).

A chilena não entrou em detalhes ao comentar o imbróglio político entre o presidente autodeclarado Juan Guaidó e o presidente eleito, considerado ditador pela oposição, Nicolás Maduro.

Em se tratando de oposição, Maduro encontrou barreiras na comunidade internacional com o reconhecimento de Guaidó como presidente interino por países como Brasil e EUA, além de países da União Europeia como Espanha, França, Alemanha, Dinamarca, Áustria, Reino Unido, Suécia, Portugal e Países Baixos.

Fluxo de imigrantes ‘sem precedentes’

A alta comissária aproveitou a ocasião para pedir que os países da América do Sul mantivessem suas fronteiras abertas para receber imigrantes venezuelanos. Hoje, eles são mais 3,3 milhões que fogem da fome, violência e pobreza. Para Bachelet, este é um fluxo “sem precedentes” na história recente da América Latina.

Sobre a situação geral do país, Bachelet garantiu que no próximo dia 20 de março os enviados especiais da ONU à Venezuela apresentarão um relatório atualizado sobre o país.

Maduro se defende

Os representantes da Venezuela na reunião, alinhados com o governo de Maduro, defenderam o regime. Para eles, Maduro é líder de um governo “Humanista” que tem como princípio a “proteção dos Direitos Humanos”.

Para Caracas, há uma tentativa do “Império Americano” em se “apropriar de nossos recursos e da capacidade de darmos uma renda para a população”, denunciaram.

A delegação de Maduro convidou a alta comissária para visitar o país. Entretanto, nada foi combinado ou sequer confirmado quanto a uma eventual visita de Bachelet.

*com informações do Estadão Conteúdo