Em data simbólica, talibãs atacam província no Afeganistão

O atentado aconteceu no dia em que o país recorda o 19º aniversário da morte do “Leão de Panjshir” por dois supostos jornalistas de origem árabe

  • Por Jovem Pan
  • 08/09/2020 13h05
EFEOs talibãs também relataram "múltiplos pistoleiros feridos ou mortos e sete detidos", reconhecendo ao mesmo tempo um ferido entre as forças do grupo

Em meio à expectativa de negociações de paz, os talibãs atacaram nesta terça-feira, 8, a província nortista de Panjshir, uma das mais seguras do Afeganistão e símbolo da resistência contra os rebeldes. O ataque começou no distrito de Abshar, mas, “após os esforços das forças de segurança e dos cidadãos locais, o inimigo fugiu, sofrendo baixas importantes”, conta o governador provincial, Mansour Unabi. Ele afirmou que o contra-ataque continua e negou que os talibãs tenham feito reféns ou causado baixas entre as forças governamentais. O principal porta-voz rebelde, Zabihullah Mujahid, afirmou no Twitter que o ataque resultou na “invasão de todos os postos de controle inimigos” na área de Ghulghulah, em Abshar. Os talibãs também relataram “múltiplos pistoleiros feridos ou mortos e sete detidos”, reconhecendo ao mesmo tempo um ferido entre as forças do grupo.

Este último ataque dos talibãs vem carregado de várias camadas simbólicas, tanto por causa da província e do dia escolhido, como devido ao clima de expectativa no Afeganistão para o possível início das negociações de paz. Panjshir é o berço do guerrilheiro afegão e líder da luta contra os talibãs Ahmad Shah Massoud, elevado ao altar dos heróis afegãos pelo governo de Cabul, além de estar próxima da capital do país asiático e de ser uma das províncias mais seguras. O Afeganistão recorda, precisamente nesta terça-feira, o 19º aniversário da morte do “Leão de Panjshir” por dois supostos jornalistas de origem árabe que detonaram um explosivo escondido em uma câmera falsa, atentado que foi relacionado à Al Qaeda. Políticos e integrantes do governo marcaram a morte em evento com honras militares em Cabul, onde o presidente do Alto Conselho de Reconciliação Nacional do governo, Abdullah Abdullah, enviou uma mensagem conciliatória aos talibãs. “A solução para resolver as diferenças no país não é nem guerra nem conflito, por isso queremos fechar a página da inimizade com os talibãs”, disse Abdullah.

O negociador principal acrescentou que as partes podem ter “opiniões diferentes e, em muitas questões, essas diferenças atingem pontos sensíveis, mas ter opiniões diferentes não significa inimizade”. Embora pareça que o início definitivo das negociações de paz esteja próximo, com ambos os lados prontos para se sentarem à mesa no Catar, os talibãs deixaram claro que uma questão ainda está pendente: a controversa libertação dos prisioneiros rebeldes. O governo afegão libertou a maioria dos últimos 400 insurgentes da lista acordada de 5.000 na semana passada, segundo o acordo entre Washington e os talibãs assinado em fevereiro, em Doha, mas alguns ainda estão devido a pressões diplomáticas.

*Com informações da Agência EFE