Presidente interina da Bolívia marca novas eleições para setembro

  • Por Jovem Pan
  • 22/06/2020 15h22
EFE/ Martin AlipazA Bolívia terá as primeiras eleições gerais desde a renúncia de Evo Morales

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, promulgou a lei que define para o dia 6 de setembro a data das novas eleições gerais. Apesar da pandemia do novo coronavírus, os bolivianos se preparam para escolher o novo presidente do país.

Áñez afirmou que foi pressionada por adversários políticos e disse que fará o possível para que as eleições sejam seguras e com menor risco de contágio possível.

“A Assembleia Legislativa controlada pelo MAS [Movimento ao Socialismo, partido de Evo Morales] aprovou a lei para as eleições em 6 de setembro. Fui pressionada pelo MAS, por Carlos Mesa [ex-candidato à presidência pelo partido Comunidade Cidadã] e outros políticos para realizar as eleições”, escreveu Áñez em redes sociais.

A presidente interina afirmou em pronunciamento à nação que, após conversar com o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), decidiu promulgar a lei.

Áñez disse que nunca teve interesse em estender seu mandato e que uma de suas tarefas mais importantes, ao chegar ao cargo de presidente, era convocar eleições presidenciais para superar “a crise da democracia que Evo Morales e sua fraude eleitoral geraram.”

“Desta forma, deixo claro que o único motivo pelo qual aceitei falar sobre o adiamento das eleições foi evitar riscos à saúde das pessoas. Mas, nessa questão de risco, quero pedir que Evo Morales, Luis Arce Catacora e Carlos Mesa assumam corajosamente a responsabilidade que eles têm por exigirem insistentemente que façamos eleições em meio a uma pandemia”, disse Áñez, referindo-se a opositores políticos.

A ministra da Saúde da Bolívia, Eidy Roca, afirmou que o país atualmente registra mais de mil casos de Covid-19 por dia e que espera-se um pico, previsto para a primeira quinzena de setembro, com mais de dois mil casos de contaminação diários.

“Falava-se que sem quarentena atingiríamos aproximadamente um milhão de infecções; estamos vendo que com a quarentena, até o pico de setembro, estaremos em aproximadamente 130 mil casos”, afirmou a ministra Roca.

O presidente do TSE, Salvador Romero, informou que estão sendo elaborados protocolos para a proteção da saúde pública durante o processo eleitoral, com o apoio de especialistas. Ele afirmou que serão criados padrões de treinamento e manuseio de material eleitoral. Assim que forem aprovados, uma vez aprovados os protocolos, eles serão tornados públicos.

As eleições de setembro serão as primeiras desde que Evo Morales foi reeleito, em outubro do ano passado. O pleito, no entanto, teve acusações de fraudes e foi cancelado. Evo renunciou ao mandato e Jeanine Áñez, que era a segunda vice-presidente do Senado, assumiu a presidência interina, em 12 de novembro.

*Com Agência Brasil