Enquanto Rússia e Ucrânia negociam, milhares de civis sofrem as consequências da guerra

ONU diz que mais de 10 milhões de pessoas já se deslocaram internamente ou se refugiaram no exterior; centenas estão presas em Mariupol

  • Por Jovem Pan
  • 23/03/2022 12h46
Maxar Tecnologia/EFE/EPA imagem de satélite multiespectral disponibilizada pela Maxar Technologies mostra incêndios na área industrial, distrito de Primorskyi de Mariupol Mariupol (Ucrânia), 12/03/2022.- Uma imagem de satélite multiespectral disponibilizada pela Maxar Technologies mostra incêndios na área industrial, distrito de Primorskyi de Mariupol, Ucrânia, 12 de março de 2022. (Incendio, Rússia, Ucrânia) EFE/EPA /APOSTILA DE TECNOLOGIAS MAXAR -- CRÉDITO OBRIGATÓRIO: IMAGEM DE SATÉLITE 2022 MAXAR TECHNOLOGIE

A guerra na Ucrânia está prestes a completar um mês, e até agora os países não chegaram a um acordo de cessar-fogo. Quatro rodadas de negociações já foram realizadas, mas, tirando a criação de corredores humanitários para retirada dos civis em segurança, nenhum acordo foi firmado. Enquanto eles negociam, milhares de civis sofrem as consequências. Segundo a ONU, mais de 10 milhões de pessoas já se deslocaram internamente ou se refugiaram no exterior. Na cidade de Mariupol, uma das mais atingidas até agora e onde um teatro que servia de abrigo foi bombardeado, quase 100 mil pessoas permanecem presas em uma situação humanitária extrema entre as ruínas enquanto as bombas russas continuam caindo na região.

Na terça-feira, 22, o presidente ucraniano disse que a única forma de acabar com o conflito com a Rússia e evitar a Terceira Guerra Mundial, é uma conversa direta entre ele e Vladimir Putin. Na entrevista a uma TV estatal ucraniana, Zelensky até chegou a dizer que está disposto a negociar o status da Crimeia – anexada pelos russos em 2014 – e das regiões separatistas de Donestky e Luhanky, que tiveram sua independência reconhecida por Putin no dia 21 de fevereiro, três dias antes da invasão à Ucrânia. O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que as negociações em Kiev são “difíceis” porque “o lado ucraniano muda constantemente de posição”. O representante ucraniano, Mikhailo Podoliak, informou por meio de um tuíte que era um processo muito difícil e viscoso, pois existiam contradições fundamentais, mas que “certamente há espaço para concessões”.

Enquanto um acordo não acontece, centenas de pessoas, principalmente em Mariupol, estão aguardando por ajuda.Para os ucranianos que estão presos, as declarações da Rússia sobre as negociações de paz são apenas palavras vazias, já que todos os dias são alvos de bombardeios, classificados pelos países ocidentais como crimes de guerra. Imagens fornecidas pela empresa privada Maxar mostravam uma paisagem de desolação, com vários prédios em chamas e várias colunas de fumaça emanando da cidade. Zelensky disse em um vídeo que as pessoas estão vivendo “em condições desumanas”. Sem água, medicamento e sob constante bombardeio”. As forças ucranianas também relataram combates “pesados” em terra com a infantaria russa.

Mariupol é fundamental para a Rússia por servir de ponte terrestre entre as forças russas na Crimeia, no sudoeste, e os territórios sob controle russo no norte e leste. As agências da ONU estimam que cerca de 3.000 pessoas morreram violentamente nessa cidade, mas alertam que esse número ainda pode ser muito maior, já que o saldo real é desconhecido. O presidente americano, Joe Biden. disse que um ataque químico russo na Ucrânia é uma “ameaça real” – ele está a caminho de Bruxelas para se reunir com representantes da Otan, União Europeia e G7. O Kremlin nega que vai cometer essa ação. Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, a Rússia usará armas nucleares se enfrentar uma “ameaça existencial”, uma retórica classificada como perigosa.