Espanha não quer que López transforme a embaixada em ‘centro de ativismo político’

  • Por Jovem Pan
  • 03/05/2019 14h33
EFELópez, perseguido pelo regime de Maduro, encontra-se na residência do embaixador da Espanha na Venezuela, Jesús Silva

Embora esteja abrigando o líder da oposição venezuelana Leopoldo López, a Espanha não quer que ele transforme a embaixada do país em Caracas em um centro de ativismo político. A declaração foi feita nesta sexta-feira (3) em Madri pelo ministro de Assuntos Exteriores, Josep Borrell.

“O estado espanhol não vai permitir que sua embaixada se converta em um centro de ativismo político. E confiamos que, nestas condições, o governo venezuelano vai respeitar a imunidade diplomática do território da embaixada espanhola”, disse a jornalistas.

O ministro explicou ainda que López não pode pedir asilo político à Espanha, mas garantiu que seu país não irá entregá-lo às autoridades venezuelanas. “De acordo com a nossa legislação, o asilo político só pode ser solicitado quando se está em território espanhol.”

Desde terça-feira (30), López, perseguido pelo regime do ditador Nicolás Maduro, encontra-se na residência do embaixador da Espanha na Venezuela, Jesús Silva.

Saída da prisão domiciliar

Na quinta (2), o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela revogou a sentença de prisão domiciliar proferida em setembro de 2015, quando López foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão por, segundo a justiça, “incitar a desordem pública, associação criminosa, atentados à propriedade e incêndio” durante manifestações contrárias a Maduro.

López estava recluso em sua casa desde julho de 2017, mas, na última terça (30), quando o autodeclarado presidente interino Juan Guaidó convocou a população a sair às ruas e concedeu “indulto presidencial” a López, o líder oposicionista deixou sua residência para se juntar às manifestações.

Para o TSJ, ao deixar sua casa, López não só descumpriu as condições da prisão domiciliar, como violou a proibição de fazer pronunciamentos políticos por quaisquer meios, nacionais ou internacionais, “demonstrando, assim, não se sujeitar às medidas” impostas em 2014.

Se for detido pelo Serviço Nacional de Inteligência Bolivariana, eledeverá ser conduzido para a prisão militar de Ramo Verde, na cidade de Los Teques, em Miranda, para cumprir o que resta de sua pena de 13 anos — da qual já cumpriu cinco anos, dois meses e 12 dias.

*Com Agência Brasil