Filho de El Chapo é capturado e solto após forte ataque de cartel

Conhecido como “Chapito”, Ovidio Guzmán ficou detido apenas por algumas horas. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou que a libertação aconteceu para “preservar vidas inocentes”

  • Por Jovem Pan
  • 18/10/2019 17h07
Mexico Law Enforcement Ovidio Guzmán, conhecido como Chapito, filho do traficante El Chapo

O filho do traficante Joaquín “El Chapo” Guzmán, Ovidio Guzmán, foi capturado pelo Exército do México, cidade de Culiacán, nesta quinta-feira (17). A captura, no entanto, durou poucas horas.

Guzmán foi solto no mesmo dia, após uma forte ofensiva do Cartel de Sinaloa.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse nesta sexta-feira (18) que Ovídio Guzmán, procurado pelos Estados Unidos por tráfico de drogas, foi solto pouco depois de ser detido para que fossem preservadas vidas de inocentes.

“Não pode valer mais a prisão de um criminoso do que as vidas das pessoas. Eles (o gabinete de segurança) tomaram esta decisão (de libertá-lo), e eu a apoiei”, disse o governante em sua habitual entrevista coletiva matutina, desta vez concedida na cidade de Oaxaca, no sul do país.

O Exército do México admitiu nesta sexta que houve “precipitação” na operação realizada para a captura do filho de El Chapo.

López Obrador reconheceu que a situação “tornou-se muito difícil” em Culiacán. A cidade esteve durante horas sitiada por tiros – e, por muitos cidadãos estarem em “risco”, optou-se por liberar o criminoso.

“Estavam em risco muitos cidadãos, muitas pessoas, muitos seres humanos, e foi decidido proteger a vida das pessoas, e eu estive de acordo, porque não se trata de (criar) massacres”, disse.

Conhecido como ‘Chapito’, Ovidio Guzmán foi preso em uma operação do exército mexicano a partir de uma ordem de prisão.

Houve uma grande mobilização de grupos criminosos em toda a cidade de Culiacán, que tem cerca de 800 mil habitantes e em municípios vizinhos para realizar atos violentos, e muitos tiros foram disparados, além de vias bloqueadas pelos criminosos.

“Nós não queremos mortos, não queremos a guerra, custa entender, mas a estratégia que estava sendo aplicada anteriormente transformou o país em um cemitério”, disse o presidente mexicano em referência aos governos de Felipe Calderón (2006-2012) e Enrique Peña Nieto (2012-2018), nos quais foram contabilizadas mais de 250 mil mortes na guerra contra o narcotráfico.

O caso ocorrido em Culiacán refletiu o enorme controle do Cartel de Sinaloa e suas células sobre a região, que era considerada relativamente pacificada nos últimos meses.

Como aconteceu a operação para prender ‘Chapito’

O secretário da Defesa Nacional (Sedena), Luis Cresencio Sandoval explicou, durante coletiva de imprensa nesta sexta, que militares entraram em uma casa por volta das 15h45 desta quinta (17h45, no horário de Brasília), identificaram e retiveram o filho de El Chapo na residência por pouco mais de uma hora.

Pouco depois, começaram os distúrbios em toda a cidade, e por isso o Gabinete de Segurança do México tomou “por unanimidade” a decisão de retirar os militares do local.

“Formalmente não houve uma detenção”, declarou Sandoval.

Já o titular da Secretaria de Segurança Pública e Proteção Cidadã do país (SSPC), Alfonso Durazo, que também participou da entrevista, afirmou que Culiacán está hoje voltando “paulatinamente a uma relativa tranquilidade” e que “não há nenhum pacto, absolutamente nenhum pacto, com o crime organizado” que tenha resultado na soltura de “Chapito”.

“No afã de obter um resultado positivo, (o Exército) agiu de forma precipitada com deficiente planejamento e falta de previsão sobre as consequências”, disse Sandoval, em entrevista coletiva.

*Com informações da EFE