Força-tarefa da Lava Jato expressa preocupação com demissões de promotores no Peru

  • Por Jovem Pan
  • 02/01/2019 12h55 - Atualizado em 02/01/2019 13h02
ReproduçãoOs promotores peruanos Rafael Vela Barba e José Domingo Pérez foram demitidos na segunda-feira (31) pelo procurador-geral do país, Pedro Chavarry

A força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná expressou, nesta quarta-feira (2), preocupação com a destituição de dois promotores do Peru que foram responsáveis pelas investigações envolvendo a Odebrecht no país. Rafael Vela Barba e José Domingo Pérez foram demitidos pelo procurador-geral do Peru, Pedro Chavarry, na segunda-feira (31).

“Neste momento, a destituição dos promotores Rafael Vela e José Domingo de investigações tão relevantes, com frágil motivação, levanta dúvidas sobre a imprescindível garantia de independência com que investigações desse vulto estão sendo conduzidas, o que pode ter implicações internacionais”, disse a força-tarefa por meio de nota.

Segundo os promotores brasileiros, a demissão de Vela e Pérez é um “perigoso precedente latino-americano” para o trabalho independente e imparcial de promotores na região e no mundo.

Eles também teceram elogios e apoio a Vela. “A força-tarefa do Ministério Público Federal do Paraná tem conhecimento de que, desde que assumiu a coordenação da Equipe Especial, Vela tem feito com sucesso interlocução com a empresa Odebrecht e com as autoridades brasileiras para viabilizar oitivas e produção de provas em prol das investigações peruanas”, continua o texto.

Os promotores do Brasil afirmaram que a garantia de independência dos investigadores é “absolutamente imprescindível para evitar que interesses não republicanos prejudiquem a efetividade, a integridade, os resultados, a imparcialidade ou a credibilidade da investigação, inclusive no tocante à cooperação internacional estabelecida com esta força-tarefa”.

Além disso, o MPF afirma que o combate à corrupção é “cada vez mais internacional” e que investigar corrupção no Brasil tem “implicações sobre outros países, assim como as investigações em países vizinhos interessam à comunidade internacional”.

Demissões

O procurador-geral do Peru, Pedro Chavarry, demitiu os promotores peruanos Rafael Vela Barba e José Domingo Pérez na segunda-feira. A decisão ocorreu dois dias depois de os promotores fecharem um acordo de colaboração com a Odebrecht, que inclui o pagamento de uma milionária multa de reparação civil por parte da construtora e a sua cooperação em investigações contra políticos e funcionários que teriam recebido propinas.

Entre os políticos investigados por Vela e Pérez estavam o ex-presidente Alan García e a líder da Força Popular, Keiko Fujimori — filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000). Ela foi presa em 10 de outubro do ano passado por suspeitas de ter recebido financiamento ilegal em sua campanha de 2011 no total de US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 4,6 milhões).

Em 21 de dezembro, inclusive, o promotor Pérez pediu que Chávarry fosse investigado por encobrir Keiko Fujimori no caso envolvendo sua campanha eleitoral.

Após o anúncio das demissões feito pelo procurador-geral do Peru, Pedro Chavarry, o presidente peruano, Martín Vizcarra, manifestou rechaço à decisão do chefe do Ministério Público. No Twitter, Vizcarra escreveu que “diante destes novos eventos, decidi antecipar o meu retorno ao país para seguir encabeçando a luta contra a corrupção e a impunidade”.

Ele estava no Brasil para participar da posse do presidente eleito Jair Bolsonaro.

O Peru é um dos doze países da América Latina onde a Odebrecht reconheceu ter pagado subornos milionários para adjudicar grandes contratos de obras públicas, e as investigações também envolvem os ex-presidentes Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski.

*Com informações da Agência EFE