Fundador do WikiLeaks promete se entregar caso Reino Unido não o extradite para os EUA

  • Por Jovem Pan
  • 27/10/2018 16h36
New Media Days / Peter ErichsenO jornalista e ciberativista está refugiado na embaixada do Equador, em Londres, há cinco anos

Na última sexta-feira (26), Julian Assange, o jornalista e ciberativista fundador do WikiLeaks, disse através de seus advogados que se as autoridades britânicas se comprometerem a não o extraditar para os Estados Unidos ele se entregará.

A rendição está em negociação, mas a expectativa é que Assange deixe a embaixada em breve, pois, em agosto deste ano, o governo britânico garantiu que não o extraditaria. O jornalista está refugiado na embaixada do Equador, no região oeste de Londres, há cinco anos.

De acordo com o procurador-geral do Equador, Íñigo Salvador, não há pedidos de extradição contra Assange da parte dos Estados Unidos.  No Reino Unido, o ex-editor chefe do WikiLeaks, violou os termos de sua condicional e, portanto, deve ficar, caso se entregue, no máximo seis meses preso no país.

Violação da condicional

A sua prisão foi requerida pelo governo do Reino Unido após ele buscar refúgio na embaixada do Equador para fugir de um mandato de prisão europeu reivindicado pela Suécia sob acusação de crimes sexuais.

Apesar de o governo sueco ter arquivado a investigação contra Assange, os britânicos mantiveram o mandato de prisão por violação do acordo de liberdade condicional.

Por que Assange teme ser extraditado

Desde a fundação do WikiLeaks em 2006, o jornalista e uma equipe de repórteres ligados aos maiores jornais do mundo passaram a divulgar informações secretas de países como Quênia para expor violações aos direitos humanos, assassinatos realizados por militares e esquemas de corrupção.

Em 2010, o alvo do grupo, especialmente de Assange, então editor-chefe do portal, passou a ser os Estados Unidos. O WikiLeaks revelou ao longo daquele ano uma série de documentos e telegramas secretos de diplomatas estadunidenses. As principais revelações do jornalista surgiram em novembro de 2010, quando expôs que a então Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, havia instruído diplomatas para que espionassem líderes políticos e mundiais ligados a ONU, incluindo a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) que foi grampeada junto a ex-ministros.

Julian Assange teme voltar aos EUA e ser vítima de perseguições devido ao teor e impacto das suas revelações no alto escalão do governo estadunidense.