Furacão Ofélia perde força, mas ainda deixa ilha britânica em alerta

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan em Londres
  • 16/10/2017 10h51
EFE/ Aidan Crawley Barco amarrado em uma doca do condado de Clare, na Irlanda, aguarda o furacão Ofélia

O estado é de alerta no Reino Unido para a passagem do furacão Ofélia, que pode castigar principalmente a vizinha Irlanda, além da Irlanda do Norte e Escócia.

Na verdade, Ofélia vem perdendo força nas últimas horas. Ela registrou ventos máximos sustentados de 140 km/h e regrediu para a categoria 1, informou na noite deste domingo o Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.

Mesmo assim as autoridades da República da Irlanda decidiram suspender as aulas no país nesta segunda-feira e pediram para que as pessoas evitem viagens desnecessárias.

Serão vários dias de tempo ruim na região por causa do fenômeno natural que vai subir até a Escócia.

O furacão, o sexto de grandes proporções da atual temporada no Atlântico e que chegou à categoria 3 da escala Saffir-Simpson, se move rapidamente, a 61 km/h, em direção ao nordeste.

Na rota prevista, o olho de Ofelia passará sobre a Irlanda na segunda-feira, dia em que o NHC prevê que o fenômeno se transforme em “um poderoso ciclone pós-tropical com ventos com força de furacão”.

O centro meteorológico aponta que os fortes ventos e chuvas se estenderão bastante além do centro do ciclone, e a partir da tarde desta segunda-feira serão sentidos em terra firme na Irlanda e em partes do Reino Unido.

O NHC alerta que Ofelia deixará acumulações de chuva de até 75 milímetros sobre o ocidente da Irlanda e na Escócia até terça-feira, além de causar inundações em zonas costeiras devido ao aumento do nível do mar.

Mas no lado leste das ilhas britânicas, parte da Inglaterra, a tempestade não deve trazer problemas.

Brexit

O que tem esquentado a cabeça das autoridades de Londres mesmo é o andamento das negociações do Brexit. Elas claramente não estão prosseguindo do jeito que os britânicos gostariam.

A primeira-ministra Theresa May terá um jantar com o chefe da comissão europeia Jean Claude Junker nesta noite que, segundo o jornal The Guardian, foi marcado às pressas pra tentar desemperrar as discussões.

Alemanha e França têm endurecido muito o jogo para o lado do Reino Unido e não querem começar as negociações para um acordo comercial depois da separação ainda neste ano.

Os países querem resolver antes quanto os britânicos aceitam pagar para sua desfiliação. E ainda querem definir a situação dos europeus que moram por aqui.

O problema é que essas são justamente as cartas que o Reino Unido têm na manga para barganhar um acordo favorável a eles. Por isso o impasse continua.

O Conselho Europeu, que é órgão político do bloco, terá uma reunião de cúpula na quinta-feira, e o Reino Unido espera alguns sinais de trégua de seus vizinhos até lá. Fato é que esse divórcio está sendo duríssimo em termos de negociação para os britânicos até aqui por vários motivos, mas principalmente porque a Europa quer mostrar para os outros 27 membros que sair desse casamento terá consequências pesadas.

Com informações complementares da Agência EFE