G7 se mobiliza para ajudar a economia da Ucrânia e fazer Rússia pagar pelos danos

Ministério da Economia de Kiev estima que perdas totais variam de US$ 564 bilhões a US$ 600 bilhões

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2022 12h59
EFE/EPA/SASCHA STEINBACH países do G7 economia Ucrânia Ministros e Governadores posam para a mídia após as Reuniões dos Ministros das Finanças e Governadores dos Bancos Centrais do G7 em Koenigswinter, perto de Bonn, Alemanha

Os países do G7 vão se reunir na quinta, 18, e sexta, 19, para discutir uma nova rodada de financiamento para cobrir o orçamento ucraniano para o trimestre anual, castigada pela guerra lançada pela Rússia que já beira os três meses. “Estou bastante otimista com o fato de que poderemos levantar os fundos que permitirão à Ucrânia se defender nos próximos meses”, disse Christian Lindner, ministro das Finanças alemão, cujo país preside este ano o grupo de potências. Estima-se que US$ 5 bilhões sejam necessários para sustentar a economia do país, de acordo com Kiev.

A guerra lançada pela Rússia deve causar uma contração maciça da economia ucraniana, estimada em 30% pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) e de até 45% pelo Banco Mundial. Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou uma ajuda de US$ 40 bilhões para a Ucrânia. Desse total, cerca de US$ 7,5 bilhões devem ir para o orçamento no curto prazo, segundo fontes ministeriais do G7.  “Vou pedir aos meus colegas que se juntem a nós para aumentar seu apoio financeiro à Ucrânia (…) que precisa da nossa ajuda e precisa agora”, disse a secretária do Tesouro, Janet Yellen, ao chegar a Königswinter, onde a reunião está sendo realizada. Na quarta-feira, a Comissão Europeia propôs uma “nova ajuda macrofinanceira de até 9 bilhões de euros”, cerca de US$ 9,4 bilhões. 

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Prejuízo por danos em infraestruturas ucranianas beira US$ 100 milhões e Ucrânia tem projeto para fazer Rússia arcar com os custos/Sergey BOBOK / AFP

Enquanto a guerra continua devastando grande parte do território ucraniano, a ajuda para a reconstrução do país já começou a ser discutida. Yellen informou que “as negociações apenas começaram, mas já se fala na possibilidade de usar ativos russos congelados pelas sanções ocidentais”. Entretanto, essa possibilidade não é algo que todos concordam logo de imediato, o ministério das Finanças francês ressalta que existem muitos obstáculos legais que precisam ser cumpridos. “Temos que examinar cuidadosamente as limitações. Temos que respeitar o Estado de Direito”, declarou.

Projeto “Rússia vai Pagar”

A ideia de fazer com que a Rússia pague pela destruição que causou desde o início da invasão, não é algo idealizado só pelo G7. A Escola de Economia de Kiev (KSE) tem um projeto, apoiado pelo Gabinete do presidente da Ucrânia e dos Ministérios de Economia, Reintegração dos Territórios Temporariamente Ocupados e Infraestrutura, denominado “Rússia vai Pagar” que analisa os danos sofridos pelo país desde o começo da guerra em 24 de fevereiro. Só na última semana, de acordo com o relatório apresentado, “as perdas diretas para a economia da Ucrânia devido à destruição e danos às infraestruturas civil e militar aumentaram em US$ 3,1 bilhões. Desde 19 de maio, o montante total de perdas diretas documentadas em infraestruturas é de quase US$ 97,4 bilhões”. 

O estudo acrescenta que, segundo estimativas do Ministério da Economia e da KSE, as perdas totais para a economia ucraniana devido à guerra – tanto as diretas, calculadas neste projeto, como as indiretas – variam de US$ 564 bilhões a US$ 600 bilhões. Nessas perdas está incluso: declínio no PIB, paralisação nos investimentos, êxodo de mão de obra e gastos adicionais com defesa e bem-estar social.  O relatório acrescenta que, pelo menos 12 aeroportos civis, 295 pontes e viadutos, 591 creches, 574 instalações de saúde, 108 edifícios religiosos e 179 edifícios culturais, 169 armazéns e 19 centros comerciais foram danificados, destruídos ou apreendidos pelas forças russas. O ministro da Economia da Ucrânia, Sergiy Marchenko, sabe que os valores que eles necessitam e pedem são altos. Contudo, ele ressalta que é uma “uma maneira de sobreviver”.

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