Gaza sofre com crise humanitária, registra mais de 400 mil deslocados e recebe dura resposta do Egito: ‘Fiquem em sua terra’

Moradores do enclave se abrigam em escolas administradas por agência da ONU; governo brasileiro envia avião para resgatar brasileiros que estão na região

  • Por Jovem Pan
  • 12/10/2023 18h08 - Atualizado em 18/10/2023 15h01
SAID KHATIB / AFP moradores da faixa de gaza Homem palestino sentado com membros de sua família do lado de fora de um prédio destruído por um ataque aéreo israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza

O confronto entre Israel e o grupo Hamas, que chegou ao seu sexto dia nesta quinta-feira, 12, já deixou mais de 400 mil descolados internos na Faixa de Gaza. Segundo o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários, são 423 mil refugiados internos. Quem ainda está lá, se abriga em escolas administradas por uma agência de ajuda humanitária da ONU e sofre com a ausência de água, eletricidade, comida, medicamento e gás, já que na segunda-feira, 10, o governo israelense decretou cerco total na região em retaliação ao ataque sofrido no sábado pelo Hamas. A situação desencadeou uma crise humanitária que pode ficar ainda pior nos próximos dias, já que Israel ameaça lançar uma grande ofensiva na região.

O Exército israelense, que bombardeia a Faixa de Gaza com uma salva de tiros a cada 30 segundos, cogita realizar uma “manobra terrestre” no território palestino para responder ao que Israel definiu como “o 11 de setembro israelense”. O primeiro ministro Benjamin Netanyahu prometeu “destruir” o movimento palestino, que mantém cerca de 150 reféns desde a incursão no último dia 7. Entre as pessoas que aguardam por ajuda em Gaza, estão alguns brasileiros. Nesta quinta-feira, 12, o governo brasileiro enviou mais um avião para a “Operação Voltando em Paz”.

fronteira gaza e egito

Portões fechados da passagem de fronteira de Rafah com o Egito│SAID KHATIB / AFP

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o acionamento foi feito em caráter de urgência. A intenção é que os brasileiros saiam da Faixa de Gaza até a fronteira do Egito em um ônibus contratado pela Embaixada do Brasil, utilizando a passagem de Rafah. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, entrou em contato com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, Sameh Shoukry, que atendeu ao pedido de ajuda. A saída pelo Egito tem sido a melhor opção para quem está em Gaza. Contudo, há algumas complicações na fronteira. Nesta quinta, por exemplo, o presidente do Egito, Abdel Fattah al Sissi, instou os moradores da Faixa de Gaza a “permanecer em sua terra”, ignorando a pressão para autorizar a saída de civis do território bombardeado por Israel. Segundo Al Sissi, os moradores da região “devem se manter firmes e permanecer em sua terra”. O Egito administra a passagem de Rafah, única entrada para Gaza que não é controlada por Israel.

A Faixa de Gaza é uma área de 360 km², na qual vivem 2,3 milhões de pessoas. Os contantes ataques a região, que está sem acesso à água, energia, alimentação, gás e medicamento, gera preocupação pelas consequências humanitárias e pelos riscos de uma escalada do conflito. Organizações internacionais trabalham para que haja uma trégua e sejam criado corredores humanitários. O Brasil convocou para esta sexta-feira, 13, uma reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para discutir as questões humanitárias em Gaza e resoluções para o conflito na região. Já são mais de 2.700 mortos.

 

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