Hidroxicloroquina é vetada para tratamento de Covid-19 na França

O pedido foi feito pelo médico Didier Raoult, considerado um dos grandes incentivadores do uso do medicamento para combater infecções pelo coronavírus

  • Por Jovem Pan
  • 23/10/2020 14h44
REUTERS/Yves HermanA hidroxocloroquina, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, também é tema de polêmicas na França

Um dia depois do Remdesivir receber a autorização final para ser implementado no tratamento de pacientes com Covid-19 nos Estados Unidos, a França negou um pedido médico de utilizar a hidroxicloroquina contra a doença causada pelo coronavírus. A rejeição veio da Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos e Produtos de Saúde da França (ANSM) nesta sexta-feira (23), que apontou que este princípio ativo, comercializado no país pelo grupo Sanofi, aumenta os riscos cardiovasculares.

“Os dados disponíveis até agora, que são muito heterogêneos e irregulares, não nos permitem prever um benefício da hidroxicloroquina”, afirmou a agência em comunicado. A ANSM explicou ainda que sua posição está de acordo “com a grande maioria das recomendações terapêuticas internacionais” e pode ser revista a qualquer momento “se houver novos resultados de estudos clínicos” que modificariam os conhecimentos atuais. No final de maio, a pasta já havia proibido explicitamente a prescrição deste medicamento, geralmente indicado para o tratamento da malária.

O pedido de utilização da hidroxicloroquina foi feito no início de agosto por Didier Raoult, um dos grandes incentivadores da hidroxicloroquina como tratamento para alguns casos de Covid-19. O médico dirige o Institut Hospitalo-Universitaire, em Marselha, um dos maiores centros de pesquisa epidemiológica da França. Através do seu perfil no Twitter, ele criticou a decisão do ANSM afirmando que a agência tinha autorizado o envio de e-mails promocionais da empresa Gilead sobre o Remdesivir, fármaco que, assim como a hidroxicloroquina, ainda não possui a aprovação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser utilizado no tratamento de infecções por coronavírus.

*Com informações da EFE