Impulsionado por minissérie, turismo a Chernobil bate recorde neste ano

  • Por Jovem Pan
  • 06/09/2019 14h56
Michael Kötter / Flickr CommonsEm oito meses, 74.671 turistas visitaram a região do desastre

De janeiro a agosto deste ano, mais de 75 mil turistas visitaram a zona de exclusão da usina nuclear de Chernobil, na Ucrânia, onde há 33 anos aconteceu a maior catástrofe nuclear da história. O número representa um novo recorde no turismo local.

“Neste ano já se estabeleceu um novo recorde de visitas à zona de exclusão (que abrange 30 quilômetros ao redor da usina nuclear)”, informou nas redes sociais a Agência Estatal para a Gestão da Zona de Exclusão.

Em oito meses, 74.671 turistas visitaram a região do desastre. Só em agosto foram registrados 14.416 visitantes, cinco vezes mais que no início do ano. Entre janeiro e fevereiro, menos de três mil pessoas compareceram ao lugar do acidente.

A partir de março, o “número de turistas cresceu rapidamente”, ou seja, antes mesmo da estreia da bem-sucedida “Chernobyl“, produção da HBO sobre o acidente nuclear. A minissérie contribuiu para novamente chamar a atenção para Chernobil, reconhecem as autoridades.

A Agência Estatal para a Gestão da Zona de Exclusão aprovou 21 rotas para os turistas: 13 percursos terrestres, cinco aquáticos e três aéreos.

“O principal desafio que enfrentamos é a segurança de cada visitante que cruza os limites da zona de exclusão. O número de visitantes aumenta significativamente a cada ano, da mesma forma que o interesse em Chernobil no geral”, afirmou o diretor da agência, Vitali Petruk.

“Para garantir informação interessante e verídica aos visitantes, apoiamos o desenvolvimento de novas formas de visitas que permitam que nos comuniquemos com os turistas com qualidade”, acrescentou.

Turismo na Ucrânia nos últimos anos

O fluxo de turistas à região aumentou notavelmente nos últimos anos. Segundo divulgou em abril o Ministério de Ecologia e Recursos Naturais, desde 2015 as visitas se multiplicaram por dez. O número de turistas passou de oito mil para 70 mil nos últimos quatro anos.

A metade dos visitantes são turistas estrangeiros, atraídos pela magnitude da catástrofe e pela lenda da cidade fantasma de Pripyat, a mais afetada pela radiação. Agora, também pela minissérie.

A explosão

A explosão ocorrida na madrugada de 26 de abril de 1986 espalhou até 200 toneladas de material com uma radioatividade de 50 milhões de curies, o equivalente a 500 bombas atômicas como a lançada em Hiroshima.

A radiação continua afetando milhares de habitantes de Bielorrússia, Ucrânia e Rússia, onde 70% dos quase 200 mil quilômetros quadrados de terrenos estão contaminados.

*Com EFE