Irã diz que reunião com os EUA sobre programa nuclear terminou sem acordo

Reuniões em Omã, suspensas ‘por enquanto’, buscam evitar uma escalada militar após as ameaças de Washington, que enviou navios de guerra para a região

  • Por Jovem Pan
  • 06/02/2026 11h54
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HANDOUT / OMANI FOREIGN MINISTRY / AFP In this handout photo released by the Omani Ministry of Foreign Affairs on February 6, 2026, US special envoy Steve Witkoff shakes hands with Oman’s Foreign Minister Badr bin Hamad al-Busaidi as Jared Kushner looks on during a meeting in Muscat. Iran and the United States began talks on February 6 in Oman, with Washington refusing to rule out military action against its foe if diplomacy fails while the Islamic republic vowed to defend itself against "any excessive demands". O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, aperta a mão do Ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad al-Busaidi, enquanto Jared Kushner observa durante uma reunião em Mascate.

O governo do Irã informou na manhã desta sexta-feira (6) que as conversas indiretas entre o país e os Estados Unidos foram encerradas “por enquanto”, sem fornecer mais detalhes, conforme relatado pela Al Jazeera.

As reuniões ocorreram em Omã, com o conteúdo das negociações ainda não esclarecido, enquanto Teerã mantém a posição de que as discussões devem se restringir à questão nuclear.

As delegações iraniana e americana compareceram separadamente ao palácio destinado às conversas com o ministro das Relações Exteriores do sultanato, Badr al-Busaidi. Após a saída dos veículos iranianos, um comboio ostentando a bandeira americana adentrou o local, permanecendo nos terrenos do palácio por aproximadamente uma hora e meia.

Diplomatas do Egito, Turquia e Catar apresentaram ao país persa uma proposta: interromper o enriquecimento de urânio por três anos, enviar o material enriquecido para fora do país e se comprometer a não iniciar o uso de mísseis balísticos. A Rússia manifestou disposição para receber o urânio iraniano, mas Ali Shamkhani, uma figura influente na política iraniana, declarou recentemente que encerrar o programa ou remover o urânio do país não seriam opções viáveis.

Entretanto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ressaltou na quarta-feira (4) a necessidade de incluir todas essas questões nas negociações. Ele acredita que a teocracia do Irã está atualmente em seu ponto mais fraco desde a Revolução Islâmica de 1979. Isso se deve aos protestos nacionais do mês passado, que representaram o maior desafio ao governo do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Desde os ataques aéreos realizados pelos EUA e Israel em junho do ano passado, o Irã tem se concentrado em reparar rapidamente várias instalações de mísseis balísticos danificadas, enquanto os reparos em grandes instalações nucleares têm sido limitados. Esta discrepância no ritmo de reconstrução, conforme mostram imagens de satélite analisadas pelo The New York Times, sugere quais são as prioridades militares do país persa neste momento.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta sexta-feira que as preocupações em relação ao Irã são “muito, muito altas” entre líderes da região.

*Estadão Conteúdo

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