Irã restabelece ligações internacionais, mas mantém bloqueio à internet em meio a protestos

Governo atribui apagão digital a ‘operações terroristas’, enquanto ONGs acusam regime de tentar ocultar repressão que já deixou centenas de mortos

  • Por Jovem Pan
  • 13/01/2026 07h02 - Atualizado em 13/01/2026 07h03
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Foto por CARLOS JASSO / AFP Manifestantes queimam imagens do aiatolá Ali Khamenei durante um protesto em solidariedade à revolta iraniana, organizado pelo Conselho Nacional da Resistência do Irã, em Whitehall, no centro de Londres, em 11 de janeiro de 2026, para protestar contra a repressão do regime iraniano ao acesso à internet e "reconhecer seu direito à autodefesa contra as forças do regime". Pelo menos 192 pessoas foram mortas em duas semanas de protestos contra o governo e a crise econômica no Irã, disse um grupo de direitos humanos no domingo, um aumento acentuado em relação ao número anterior de 51 mortos. Pelo menos 192 pessoas foram mortas em duas semanas de protestos contra o governo e a crise econômica no Irã, disse um grupo de direitos humanos no domingo, um aumento acentuado em relação ao número anterior de 51 mortos

A conexão telefônica internacional foi restabelecida nesta terça-feira(13) no Irã, constatou um jornalista da AFP, mas o país segue sem acesso à internet devido, segundo o governo iraniano, a “operações terroristas” durante os protestos.

Defensores dos direitos humanos acusaram a República Islâmica de cortar o acesso à internet para ocultar a repressão que, segundo eles, provocou centenas de mortes, ou até mais.

Os protestos começaram há duas semanas. No início eram contra o aumento do custo de vida, mas com o passar dos dias se transformaram em um movimento contra o regime teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá.

O país está sem acesso à internet desde 8 de janeiro, ou seja, há mais de 108 horas, segundo a ONG NetBlocks.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou nesta terça-feira ao canal Al Jazeera que o apagão foi estabelecido por supostas “operações terroristas” durante os protestos, que representam um grande desafio para o governo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos.

“O governo dialogava com os manifestantes. A internet foi cortada apenas depois que nos vimos confrontados com operações terroristas e constatamos que as ordens vinham do exterior”, afirmou o ministro.

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Desde sexta-feira os iranianos também não podiam ligar para o exterior, mas nesta terça-feira as linas telefônicas foram restabelecidas, constatou um correspondente da AFP. A repressão a esses protestos desencadeou uma onda de condenações e indignação a nível internacional.

*Com AFP 

 

 

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