Japão rebate críticas de Ghosn e o desafia a defender inocência no país

A ministra de Justiça do Japão, Masako Mori, classificou as declarações do ex-presidente da aliança Renault-Nissan como ‘intoleráveis’

  • Por Jovem Pan
  • 08/01/2020 16h26 - Atualizado em 08/01/2020 16h30
EFECarlos Ghosn, ex-presidente da Nissan

A ministra de Justiça do Japão, Masako Mori, desafiou nesta quarta-feira (8) o ex-presidente da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, a defender que é inocente nos tribunais do país e rebateu as críticas que o executivo brasileiro tem feito ao sistema judicial japonês.

“Se o acusado Ghosn tem algo a dizer, ele deve buscar a justiça que as instâncias judiciais japonesas oferecem”, afirmou Mori em uma coletiva que começou pouco depois de uma entrevista concedida por Ghosn em Beirute, no Líbano.

Na entrevista, a primeira concedida desde que foi preso em Tóquio em novembro de 2018, Ghosn disse ser vítima de uma “perseguição política” pela intenção que tinha de aprofundar ainda mais a aliança entre Nissan e Renault.

O executivo brasileiro também acusou a Nissan de conspirar com a Promotoria de Tóquio e disse que fugiu do país por pensar que havia “zero possibilidade” de ser julgado justamente pelos tribunais do Japão.

Ao responder às críticas, a ministra da Justiça do Japão desafiou Ghosn a defender sua inocência dentro das regras judiciais do país. Mori lembrou, por exemplo, que o executivo foi autorizado em abril do ano passado a responder em liberdade depois de pagar fiança.

Para ela, as críticas que Ghosn fez ao sistema judiciário japonês são “intoleráveis”. “Ele vem propagando, tanto dentro do Japão como internacionalmente, falsa informação sobre o sistema legal do Japão e nossas práticas. (…) Nosso sistema penal contempla os procedimentos apropriados para conseguir a verdade, garantindo os direitos humanos individuais básicos”, afirmou a ministra.

Ghosn é acusado de não declarar parte das remunerações que recebeu da Nissan, empresa que comandou por quase duas décadas, e de usar recursos da montadora japonesa para benefício pessoal.

O executivo brasileiro fugiu do país e reapareceu em Beirute, no Líbano, no dia 31 de dezembro, mas não quis dar detalhes de como escapou do Japão na entrevista que concedeu hoje.

Entre as críticas que Ghosn tem feito à Justiça do Japão está a limitação imposta nas comunicações com sua esposa, Carole. Os promotores do Tóquio alegam que ela também é suspeita no caso e que a restrição visa impedir a destruição de provas.

A Promotoria de Tóquio também respondeu às críticas de Ghosn e afirmou que Carole é “supostamente uma das pessoas envolvidas em um esquema para transferir fundos que o acusado obtinha da Nissan, violando seus deveres legais”.

“O acusado, por meio de sua esposa, entrou em contato com outras pessoas investigadas e, deste modo, houve conluio e alteração de evidências”, disse o órgão em comunicado.

Na nota, a Promotoria de Tóquio diz ser “categoricamente falsa” e “completamente contrária aos fatos” a acusação de Ghosn de que os procuradores conspiraram com a Nissan para prejudicá-lo.

*Com informações da EFE