Justiça peruana investigará 3 ex-presidentes por doações da Odebrecht

  • Por EFE
  • 10/06/2018 20h30
EFEAs investigações surgiram após o depoimento feito pelo ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, a promotores peruanos em fevereiro deste ano no Brasil

O Ministério Público (MP) do Peru anunciou neste domingo a abertura de uma investigação preliminar por lavagem de dinheiro contra os ex-presidentes Pedro Pablo Kuczynski, Alan García e Alejandro Toledo pelas supostas doações de campanha da Odebrecht a seus partidos que não foram declaradas.

As investigações surgiram após o depoimento feito pelo ex-diretor da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, a promotores peruanos em fevereiro deste ano no Brasil, no qual o mesmo se referiu a contribuições de campanha que a construtora supostamente fez aos partidos políticas dos ex-presidentes, conforme o MP peruano detalhou através do Twitter.

Serão investigados Toledo, que presidiu o Peru entre 2001 e 2006, e seu ex-assessor de segurança, Avraham Dan On; Kuczynski, chefe de Estado entre 2016 e 2018, e a atual embaixadora em Londres, Susana de La Puente; Alan García, que governou o país entre 2006 e 2011, e o ex-ministro Luis Alva Castro.

“Todas as partes foram notificadas das respectivas disposições, que incluem a programação de diversas diligências”, acrescentou o Ministério Público ao anunciar o início das investigações em três casos individuais.

Durante o interrogatório dado por Barata ao promotor José Domingo Pérez em fevereiro, o ex-diretor disse que a Odebrecht fez contribuições às campanhas eleitorais de Kuczynski e Toledo em 2011, e à de García em 2006.

Barata também mencionou uma doação à campanha de 2011 da líder do partido fujimorista Força Popular, Keiko Fujimori, que naquele ano concorreu à presidência contra Ollanta Humala, que foi eleito para o mandato entre 2011 e 2016.

Humala também está sendo investigado de forma preliminar pela Justiça peruana por uma contribuição de US$ 3 milhões que a Odebrecht supostamente teria feito à sua campanha.

No caso de Kuczynski, Barata disse que a empresa lhe forneceu US$ 300 mil através de Susana de La Puente, uma renomada banqueira e figura próxima do ex-presidente durante a sua campanha eleitoral.

Kuczynski renunciou à presidência do Peru em março no meio de um escândalo por seus vínculos com a Odebrecht.

Para a campanha de Alan García em 2006, o ex-diretor da Odebrecht disse que a companhia doou US$ 200 mil através do ex-ministro Luis Alva Castro.

No caso de Toledo, Barata indicou que a contribuição foi de US$ 700 mil, enquanto para Keiko Fujimori foram destinados US$ 1,2 milhão, que foram supostamente entregues ao ex-ministro Jaime Yoshiyama e ao empresário Augusto Bedoya.

Toledo já é investigado por receber propinas avaliadas em US$ 20 milhões da Odebrecht para a concessão das obras de construção de dois trechos da rodovia Interoceânica Sul, e a Justiça peruana pediu sua extradição aos Estados Unidos, onde o ex-presidente vive atualmente.

A construtora Odebrecht, envolvida em um esquema de corrupção em vários países da América Latina, admitiu o pagamento de US$ 29 milhões em propinas no Peru para conseguir a concessão de obras entre 2005 e 2014, um período que compreende os governos de Alejandro Toledo, Alan García e Ollanta Humala.