Leão XIV começa a discutir futuro da Igreja Católica com cardeais de todo o mundo

Em cúpula de dois dias, Papa revisita documentos de Francisco e discute o futuro da governança da Igreja; reunião marca o retorno dos líderes a Roma após o conclave de 2025

  • Por Jovem Pan
  • 07/01/2026 15h56
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Alberto PIZZOLI / AFP O Papa Leão XIV saúda a multidão após a oração do Regina Caeli, da varanda central principal da Basílica de São Pedro, no Vaticano, em 11 de maio de 2025 Leão XIV começa a discutir futuro da Igreja Católica com cardeais de todo o mundo

O papa Leão XIV reúne a partir desta quarta-feira (7) no Vaticano cardeais de todo o mundo em uma cúpula com a qual pretende coletar opiniões sobre temas-chave para o futuro da Igreja, frequentemente envolvida em divisões. A reunião de dois dias começou nesta quarta e será dividida em três longas sessões de debate entre todos os cardeais na Sala do Sínodo do Vaticano. Está previsto que o pontífice discurse nesses dias e, na manhã de quinta-feira (8), realize uma missa diante de todos os cardeais na Basílica de São Pedro.

A Santa Sé divulgará as conclusões do encontro em entrevista coletiva às 20h desta quinta-feira (horário local, 16h em Brasília).

O Direito Canônico define esse tipo de fórum como “consistórios extraordinários” e permite que os papas reúnam “todos” os cardeais do planeta para aconselhá-los em caso de “necessidades especiais da Igreja” ou de “assuntos graves” (são diferentes dos consistórios “ordinários”, mais limitados e frequentes).

Francisco recorreu a esse poder apenas em 2014, pois preferiu instituir um Conselho reduzido para aconselhá-lo em suas reformas, enquanto que, no passado mais recente, João Paulo II organizou até seis entre 1979 e 2001, sempre em momentos cruciais.

Agora, Leão XIV, seguindo os pedidos de muitos cardeais nas reuniões prévias ao conclave para serem consultados com mais frequência, convocou seu primeiro consistório extraordinário logo após o encerramento do Natal e do Jubileu, a última grande herança de Francisco.

A reunião tem como objetivo “promover um discernimento comum e oferecer apoio e conselho ao papa no exercício de sua alta e árdua responsabilidade no governo da Igreja universal”, conforme anunciado pela Santa Sé em convocação no último dia 20 de dezembro.

A título de preparação, o papa convidou os participantes a rever dois documentos capitais de seu antecessor Francisco: sua primeira exortação, ‘Evangeli Gaudium’ (2013), que preconizava sua ideia de uma Igreja “em saída” para o mundo, e sua Constituição ‘Praedicate Evangelium’ (2022) para a reforma da Cúria Romana.

Os temas a serem tratados serão o papel da última instituição, que reúne as estruturas de poder e administrativas da Santa Sé, assim como a aposta na sinodalidade, ou seja, a ideia de uma Igreja comunitária e que decide de forma colegiada.

Mas também se falará de liturgia, tema espinhoso que, em tempos de Francisco, dividiu as facções reformistas da Igreja e os conservadores, aos quais Leão XIV tranquilizou ao permitir que se celebrasse novamente no Vaticano uma missa tridentina em latim, muito limitada por seu antecessor.

O consistório extraordinário marca assim uma nova etapa na história do papa, oito meses após sua eleição e algumas mudanças curiais que, por enquanto, ocorreram aos poucos, e espera-se que sirva para esboçar a Igreja do futuro.

Precisamente nesta quarta-feira, Leão XIV se referiu à necessidade de prosseguir com as reformas eclesiásticas, sempre seguindo os passos do Concílio Vaticano II (1962-1965), que modernizou a Igreja e cujas reformas são frequentemente questionadas. “Ainda devemos realizar mais plenamente a reforma eclesiástica em chave ministerial e, diante dos desafios atuais, somos chamados a continuar sendo intérpretes atentos dos sinais dos tempos”, exortou o pontífice na audiência geral desta quarta-feira.

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Por outro lado, o consistório trouxe os cardeais de volta a Roma após o conclave que se seguiu à morte de Francisco em abril de 2025 e que levou à eleição de Leão XIV.

Por enquanto, o Vaticano não confirmou quantos dos 245 membros do Colégio Cardinalício participarão da cúpula, já que seus preparativos ocorreram com grande discrição.

*Com informações da EFE
Publicado por Nícolas Robert

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