Líbano neutraliza 4,3 mil toneladas de produto explosivo encontrado perto do porto de Beirute

Anúncio vem um mês depois que 2,75 mil toneladas de nitrato de amônio explodiram deixando 191 vítimas, mais de 6,5 mil feridos e 300 mil desabrigados

  • Por Jovem Pan
  • 06/09/2020 08h36 - Atualizado em 06/09/2020 08h58
EFE/EPA/WAEL HAMZEHA origem da explosão é desconhecida e está sendo investigada com a participação de uma equipe do FBI.

Após um mês da explosão que devastou grande parte de Beirute, militares do Líbano neutralizaram neste sábado, 5, 4.350 toneladas de nitrato de amônio que foram encontradas perto do porto há dois dias. O exército informou em comunicado que a substância foi “neutralizada e detonada nos campos de explosão” das tropas libanesas, sem dar mais detalhes. O anúncio vem um mês depois que 2,75 mil toneladas de nitrato de amônio que haviam sido armazenadas durante seis anos sem medidas preventivas dentro do porto de Beirute explodiram deixando 191 vítimas, mais de 6,5 mil feridos e 300 mil desabrigados, de acordo com dados oficiais.

A origem da explosão está sendo investigada com a participação de uma equipe do FBI. Até agora, 25 pessoas, a maioria delas funcionárias portuárias ou alfandegárias, foram presas por algum tipo de envolvimento no incidente. Na última segunda-feira, 31, o juiz Fadi Sawwan, responsável pelas investigações, expediu dois mandados de prisão contra o diretor de transporte marítimo do Ministério dos Transportes e um alto funcionário, informou a agência estatal de notícias National News. Apesar das prisões, as circunstâncias exatas da explosão ainda não são totalmente conhecidas. Nenhuma evidência conclusiva foi encontrada na primeira fase dos interrogatórios, afirmou Sawwan.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, reconheceu dias após a tragédia que sabia da existência de “uma grande quantidade” desse fertilizante no porto. A explosão levou à renúncia em bloco de todo o governo de Hassan Diab, no dia 10 de agosto e, algumas semanas depois, Mustapha Adib foi nomeado primeiro-ministro. A explosão causou até US$ 4,6 bilhões em danos físicos, disse o Banco Mundial em um relatório divulgado na segunda-feira. Ela deixou quase 300 mil pessoas desabrigadas, destruiu grande parte do porto e danificou bairros inteiros. Os setores social, de habitação e de cultura foram os mais afetados, sofrendo danos substanciais que totalizam entre US$ 1,9 bilhão e US$ 2,3 bilhões e US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão, respectivamente, acrescentou o órgão.

* Com EFE