Lviv, Kiev e Kharkiv são alvos de novos bombardeios da Rússia

Cidades são consideradas as três mais importantes do território da Ucrânia

  • Por Jovem Pan
  • 18/03/2022 07h14 - Atualizado em 18/03/2022 09h38
Daniel LEAL / AFP Soldado ucraniano joga coquetel molotov durante um curso civil de autodefesa nos arredores de Lviv, oeste da Ucrânia Soldado ucraniano joga coquetel molotov durante um curso civil de autodefesa nos arredores de Lviv, oeste da Ucrânia

A Rússia intensificou seu ataque bélico na Ucrânia nesta sexta-feira, 18, com disparos de mísseis de bombardeios na entrada de três cidades importantes, a capital Kiev, a ocidental Lviv, para onde muitos refugiados foram antes de sair do país em direção à vizinha Polônia, e Kharkiv, segunda maior do país e mais próxima à fronteira com a própria Rússia, no leste. O ataque foi realizado nas primeiras horas da manhã, por volta das 6 horas (1h no horário de Brasília). As tropas russas têm realizado constantes bombardeios nas madrugadas e início das manhãs nos últimos dias.

Seis mísseis direcionados a Lviv foram lançados do Mar Negro, mas dois deles foram abatidos, informou o comando ocidental da Força Aérea ucraniana no Facebook. A cidade abriga, atualmente, refugiados antes da partida para outros países e é a mais próxima da fronteira com a Polônia, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo a agência de notícias AP News, a população local chegou a crescer em 200 mil pessoas, já que vem recebendo cidadãos de todo o país.

Segundo o prefeito de Lviv, Andriy Sadovyi, uma instalação de reparo de aeronaves militares, próxima ao aeroporto internacional da cidade, foi atingido. Uma instalação de reparo de ônibus também ficou danificada. Nenhuma vítima foi relatada até o momento, já que a instalação havia suspendido o trabalho antes do ataque. A informação foi compartilhada pelo aplicativo de mensagens Telegram. Apesar de Lviv estar bem atrás da linha de frente da guerra, seus arredores não vem sendo poupados: quase três dúzias de pessoas foram mortas no último fim de semana em um ataque a um centro de treinamento perto da cidade.

O extremo norte da capital ucraniana de Kiev também foi impactada pelos ataques desta sexta. Pelo menos uma pessoa foi morta por um bombardeio em Podil, um bairro da região, segundo os serviços de emergência. “O inimigo continua a atacar a capital. De manhã, uma área residencial no distrito de Podolsk foi bombardeada. Uma pessoa morreu, 19 ficaram feridas, incluindo quatro crianças. Casas, jardins de infância e uma escola foram danificados. Socorristas e médicos estão trabalhando no local”, afirmou o prefeito da capital, Vitaliy Klitschko, nas redes sociais.

Bombardeios russos também atingiram uma instituição de ensino em Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia.  Duas residências foram atingidas, segundo o Serviço de Emergência do Estado Ucraniano. Uma pessoa morreu e outra permanece sob os escombros, há 11 feridos. A chefe política das Nações Unidas, a subsecretária-geral Rosemary DiCarlo, disse que a devastação em Mariupol e Kharkiv “levanta graves temores sobre o destino de milhões de moradores de Kiev e outras cidades que enfrentam ataques cada vez mais intensos”.

Em comunicado à nação desta sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse estar grato ao presidente Joe Biden pela ajuda militar adicional, mas não entraria em detalhes sobre o novo pacote, dizendo que não queria que a Rússia soubesse o que esperar. Ele disse que quando a invasão começou, em 24 de fevereiro, a Rússia esperava encontrar a Ucrânia como fez em 2014, quando tomou a Crimeia sem luta e apoiou os separatistas quando eles assumiram o controle da região leste de Donbass. Em vez disso, ele disse, a Ucrânia tinha defesas muito mais fortes do que o esperado, e a Rússia “não sabia o que tínhamos para defesa ou como nos preparamos para enfrentar o golpe”.