Madri enfrenta problemas para enterrar mortos por coronavírus

  • Por Jovem Pan
  • 23/03/2020 22h59
Guillaume Horcajuelo/EFEA Espanha é um dos países europeus mais afetados pelo coronavírus

Com funerárias saturadas, Madri utilizará um centro comercial com pista de patinação no gelo, o Palacio de Hielo, como alternativa de necrotério para abrigar corpos de algumas vítimas de coronavírus.

Nesta segunda, a Espanha chegou a 2.182 mortes pela doença transmitida pelo covid-19. Além disso, 33.089 pessoas foram infectadas, segundo dados do Ministério da Saúde local, que mostram que o aumento relatado a cada dia está sendo gradualmente atenuado. No entanto, especialistas advertem que ainda não têm certeza de que a pandemia tenha atingido seu auge no país.

Madri é a região mais afetada pelo coronavírus na Espanha, com 1.263 mortes, das quais 242 foram registradas entre domingo e segunda-feira, dia em que o hospital de campanha, cuja capacidade aumentará gradualmente para 5.500 leitos, começará a funcionar. A ampliação de lugares foi pensada para aliviar a saturação dos demais centros médicos da capital.

A decisão de abrigar os corpos no Palacio de Hielo foi apoiada pelo prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, que havia informado ao governo nacional que a funerária municipal, que já cuida de 14 cemitérios, não recolherá mais corpos de vítimas do coronavírus pela falta de equipamentos de proteção individual para seus trabalhadores.

A pista que será usada como necrotério tem 1.800 m². Os corpos serão colocados em caixões fechados, sober uma superfície de “material polimérico” para evitar o contato direto com o gelo.

A decisão foi tomada “tendo em conta a escassez de recursos para armazenamento de corpos” em uma crise que “envolve um número significativo de mortes por dia, que excede os recursos disponíveis”.

Reforço Hospitalar

Os cerca de 200 primeiros pacientes com covid-19 começaram a chegar nesta segunda-feira ao hospital de campo, construído em apenas 48 horas no centro de eventos da capital espanhola. No ano passado, o local abrigou a reunião da Cúpula Mundial de Clima e, recentemente, a Feira Internacional de Turismo (Fitur).

O hospital foi construído em uma parceria entre os governos municipal, regional e nacional, além das Forças Armadas. Para a primeira etapa, são esperados 1.300 pacientes, segundo o diretor da unidade temporária, Antonio Zapatero. A meta é receber pacientes com sintomas menos graves.

Ele acrescentou que a previsão é de que a capacidade aumente em cerca de 200 pacientes por dia, dependendo da logística envolvendo recursos humanos, serviços de enfermagem e farmácia.

* Com EFE