Maduro incendeia suprimentos e confrontos em fronteiras matam três

  • Por Jovem Pan
  • 24/02/2019 12h55 - Atualizado em 24/02/2019 12h56
EFEDois caminhões com suprimentos colombianos foram incendiados e ao menos três pessoas morreram em conflitos

Em meio à crise venezuelana e tentativas frustradas de ajuda humanitária nas fronteiras com Brasil e Colômbia, a Polícia Nacional Bolivariana (PNB) incendiou dois caminhões com suprimentos colombianos e ao menos três pessoas morreram em conflitos com a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) na fronteira com o Brasil. Um deles, um jovem de 14 anos.

Confusão em Roraima

Na divisa com o Brasil, em Pacaraima (RR), a situação é tensa. Venezuelanos radicados no Brasil passaram para o lado venezuelano, queimaram carros e arremessaram pedras em militares da GNB, que reagiram devolvendo as pedradas, tiros de borracha e gás de pimenta. Manifestantes também tentaram, sem sucesso, hastear a bandeira venezuelana no marco fronteiriço, a meio mastro desde que a divisa foi fechada na quinta-feira (21), e acabaram roubando-a após a tentativa frustrada. Quando às pedras se somaram tiros e bombas de gás, houve correria e a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o 7.º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS) agiram para acalmar a situação.

Dois caminhões venezuelanos, dirigidos por voluntários que vivem em território brasileiro, fizeram o transporte da ajuda humanitária de Boa Vista até Pacaraima e, em seguida, para o território venezuelano. Os veículos, porém, cruzaram apenas 3 metros adentro a fronteira e ficaram estacionados durante a tarde, retornando a Pacaraima após o começo da confusão. O coronel José Jacaúna, chefe da Operação Acolhida, classificou o episódio como “lamentável”.

“Ninguém esperava que isso acontecesse no nosso território. Recebemos uma chuva de gás lacrimogêneo vindo do território venezuelano e esperamos que isso não fique assim”.

Caminhões incendiados

Na fronteira com a Colômbia, dois caminhões foram incendiados quando militares venezuelanos bloquearam a passagem da caravana e jogaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Composta por 4 veículos, a caravana retornou com apenas 2 veículos ao lado colombiano. Juan Guaidó, lider oposicionista e presidente autodeclarado da Venezuela culpou pelo Twitter o governo de Maduro. A deputada Gaby Arellano também acusou os militares de queimarem os veículos.

“As pessoas estão salvando a carga do caminhão e cuidando da ajuda humanitária que (o presidente Nicolás) Maduro, o ditador, ordenou que queimassem”, disse aos repórteres.

Na noite de sábado (23), o presidente colombiano, Ivan Duque, e Guaidó condenaram as ações dos militares e se comprometeram a buscar novas opções diplomáticas “para encerrar a ditadura Maduro”.