Marcas de luxo anunciam doações milionárias para reconstruir a catedral de Notre-Dame

O incêndio começou por volta das 18h50 no horário local desta segunda-feira (15) e demorou cerca de 9 horas para ser extinto

  • Por Jovem Pan
  • 16/04/2019 09h26
Agência EFEO incêndio na catedral de Notre-Dame, em Paris, na França, começou por volta das 18h50 no horário local desta segunda-feira (15) e demorou cerca de 9 horas para ser extinto

Ofertas milionárias para ajudar na reconstrução da catedral de Notre-Dame, em Paris, na França, começaram a ser anunciadas nesta terça-feira (16). O incêndio na catedral começou por volta das 18h50 no horário local desta segunda-feira (15) e demorou cerca de 9 horas para ser extinto.

O bilionário francês Bernard Arnault, colecionador de artes e presidente do maior conglomerado de marcas de luxo do mundo, a LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, anunciou uma doação de 200 milhões de euros para a reconstrução da catedral. “A família Arnault e o grupo LVMH, em solidariedade com essa tragédia nacional, se junta à reconstrução desta catedral extraordinária, símbolo da França, sua herança e sua unidade”, diz um trecho do comunicado. O grupo detém marcas como Louis Vuitton, Dior, Moët & Chandon, Hennesy, Bvlgari, Tag Heuer, Givenchy, entre outras.

A oferta de doação foi feita depois que seu rival, o bilionário François-Henri Pinault, ofereceu 100 milhões de euros. Pinault preside a holding francesa Kering, grupo de artigos de luxo que detém marcas como Gucci, Yves Saint Laurent e Balenciaga.

Valérie Pécresse, presidente do Conselho Regional de Île-de-France, uma das 13 regiões administrativas da França e que abriga a Grande Paris, afirmou que doará 10 milhões de euros para a reconstrução.

Sylvain Charlois, do grupo Charlois — do ramo de madeira — afirmou à Rádio FranceInfo que está disposto a oferecer as melhores vigas de carvalho disponíveis para reconstruir o complexo que formava o telhado da catedral. “O trabalho certamente levará anos, décadas até. Mas exigirá milhares de metros cúbicos de madeira. Teremos que encontrar os melhores exemplares, com grandes diâmetros”, disse ele.

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pediu aos parlamentares doações para a reconstrução da Notre-Dame, “como sinal de solidariedade”, em uma caixa do lado de fora do plenário em Estrasburgo. Por fim, a agência cultural das Nações Unidas, a Unesco, também prometeu “apoiar a França” na restauração do monumento, declarado Patrimônio da Humanidade em 1991.

Destruição

O porta-voz dos bombeiros de Paris, Gabriel Plus, afirmou que “todo o telhado foi destruído, toda a armação foi destruída, parte da abóbada caiu, e a flecha [uma torre isolada de 93 metros revestida de chumbo sobre o teto da nave] desabou”. Segundo ele, 100 bombeiros continuarão no trabalho de rescaldo nesta terça-feira.

O ministro da Cultura, Franck Riester, disse que o incêndio destruiu dois terços do teto da catedral e, principalmente, a agulha em cuja reconstrução estava sendo trabalhada e que aparece como o local onde provavelmente começaram as chamas. “Ainda levaremos algumas horas para saber o verdadeiro estrago na estrutura”, disse Riester em entrevista à rádio France Info.

De acordo com o vice-presidente do grupo de preservação Fondation du Patrimoine, Bertrand de Feydeau, além do tempo que será necessário para reconstruir a catedral de Notre-Dame, o trabalho terá como desafio também a natureza. Em entrevista à Rádio FranceInfo, ele afirmou que a França não tem mais árvores grandes suficientes para substituir as antigas vigas de madeiras na Notre-Dame.

Ele explicou que o telhado de madeira foi construído, em parte, há mais de 800 anos, com vigas de florestas primárias. “Nós não temos, no momento, árvores em nosso território do tamanho das que foram cortadas no século 13”. Segundo ele, o trabalho de restauração terá que usar novas tecnologias para reconstruir o telhado.

A construção da Catedral de Notre-Dame na Ilha de la Cité, uma pequena ilha rodeado pelo rio Sena, teve início em 1163 e se estendeu até 1345. A catedral é o monumento mais visitado de Paris e da Europa, à frente de outras construções, como o Museu do Louvre e a Torre Eiffel – em 2018 foram mais de 13 milhões de visitas.

*Com informações das agências Brasil e EFE