Michelle Bachelet lamenta que Brasil ‘tenha líder como Bolsonaro’

Bolsonaro celebrou a morte do pai da alta comissária para os Direitos Humanos da ONU

  • Por Jovem Pan
  • 22/09/2019 17h03
Antônio Cruz/ABr Antônio Cruz/ABr A entrevista completa de Bachelet à emissora chilena "TVN" será apresentada neste domingo

A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet lamentou, em trecho de entrevista veiculado neste domingo (22) na emissora chilena “TVN”, que o Brasil tenha um líder como Jair Bolsonaro. No início do mês, o presidente brasileiro elogiou publicamente o ex-ditador Augusto Pinochet e celebrou a morte do pai da alta comissária para os Direitos Humanos da ONU.

“Se existe uma pessoa que diz que em seu país nunca houve ditadura, que não houve tortura, que diz que a morte de meu pai após torturas permitiu que (o Chile) não fosse outra Cuba, bem, a verdade é que me dá pena pelo Brasil”, afirmou Bachelet.

Os insultos começaram depois que a ex-presidente chilena fez um balanço da gestão como alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, cargo que ocupa há um ano, e denunciou a redução dos espaços democráticos e um marcante aumento da violência policial no Brasil, o que provocou resposta de Bolsonaro.

“Se não fosse pelo pessoal do Pinochet, que derrotou a esquerda em 1973, entre eles seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba”, disse o presidente do Brasil, se referindo ao general de brigada da Força Aérea Alberto Bachelet Martínez, que foi preso e torturado.

Venezuela

A entrevista completa de Bachelet à “TVN” será apresentada neste domingo. O jornal “La Tercera” antecipou em alguns trechos, como o que a ex-presidente fala da situação da Venezuela, apontando que muitos acreditavam que a visita que ela fez ao país resultaria em um “milagre” para acabar com a crise humanitária.

“Sou alta comissária e quero manter a minha relação com o governo venezuelano, para continuar trabalhando e para ajudar a resolver a situação crítica de direitos humanos. Ainda há muita gente que está lá, que não saiu e que não o está vivendo bem”.

* Com informações da EFE