Ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet nega vínculos com OAS

Após ser mencionada na delação do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, a ex-presidente do Chile afirmou que nunca teve nenhum tipo de vínculo com a empresa brasileira

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2019 20h50
EFEEx-presidente do Chile, Michelle Bachelet, é mencionada por Léo Pinheiro em delação

A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet negou que tenha mantido relações com a empreiteira OAS no passado, após acusação de que teriam sido feitos pagamentos para ela a pedido do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo.

Executivo da OAS investigado e condenado por corrupção, Léo Pinheiro, que passará a cumprir prisão domiciliar após a homologação de sua delação premiada com a Lava Jato, afirmou à Justiça brasileira que aportou fundos para Bachelet a pedido de Lula. “Nunca tive um vínculo com a OAS, nem com qualquer outra empresa”, garantiu Bachelet em entrevista exclusiva ao canal de televisão chileno 24Horas, falando no Alto Comissariado da ONU para os Direitos humanos, órgão que atualmente comanda.

Em delação, Pinheiro disse que foi realizado um aporte de cerca de US$ 140 mil à campanha presidencial de Bachelet em 2013. As promotorias da Argentina, Chile, Peru e Uruguai receberam antecedentes sobre supostas fraudes da OAS. E segundo a Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht, maior construtora da América Latina, subornou políticos e empresas de Argentina, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Peru e República Dominicana

O governo de centro-direita do presidente chileno, Sebastián Piñera, não quis comentar o tema, dizendo que não tinha informações detalhadas. Já os deputados governistas pediram a Bachelet que explique a acusação. “A OAS é uma empresa internacional que se dedicou a financiar candidaturas de esquerda em troca de favores, ou seja, de corrupção”, afirmou o legislador Antonio Coloma. Por sua vez, o político de extrema-direita José Antonio Kast falou que Bachelet deveria renunciar ao cargo de Alta Comissária da ONU e responder pelas suspeitas na Justiça chilena.

No país, a Justiça iniciou uma investigação sobre supostos aportes irregulares para Bachelet, Marco Enríquez-Ominami, candidato presidencial centro-esquerdista nas eleições de 2009, além de vários outros políticos chilenos. O caso de Enríquez-Ominami está ativo e o da ex-presidente, em suspenso, à espera de mais informações. Enríquez-Ominami usou um avião da OAS durante sua campanha à presidência.

*Com informações do Estadão Conteúdo