Ministro da Saúde da Bolívia é preso por irregularidades na compra de respiradores

  • Por Jovem Pan
  • 24/05/2020 10h20
EFE/STRINGERO governo de Áñez negou qualquer envolvimento na prisão do ministro

O ministro da Saúde da Bolívia Marcelo Navajas foi enviado para uma penitenciária neste domingo, depois de ter a prisão preventiva decretada pela justiça do país, por supostas irregularidades na compra de respiradores para pacientes da Covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus.

O prazo da detenção do integrante do governo presidido por Jeanine Áñez – que se autoproclamou no cargo após o afastamento de Evo Morales – é de três meses, segundo informações do promotor Ruddy Terrazas. O titular da pasta ficará encarcerado em instalações em La Paz.

A audiência que resultou na decretação da prisão preventiva durou cerca de dez horas e terminou já na madrugada deste domingo. O diretor de Assuntos Jurídicos do Ministério, o diretor da Agência de Infraestrutura em Saúde e Equipamento, e outro envolvido, ficarão detidos por seis meses, afirmou o integrante do Ministério Público.

A advogada de Navajas, Rosario Canedo, considerou injusta e arbitrária a decisão do juiz do caso, ao garantir que há “falta de segurança jurídica”, em meio a um processo que classificou como “político”. Além disso, alertou para o risco da permanência do ministro, de 62 anos, na prisão, já que ele sofre de doença cardíaca.

O juiz que determinou a prisão preventiva do ministro, Hugo Huacani, se reincorporou ao caso ontem, pouco depois de ter sido detido na sexta-feira, quando era esperado para a audiência, acusado de suposta prevaricação no decorrer de outro processo.

O governo de Áñez negou qualquer envolvimento na prisão do magistrado, em meio ao maior escândalo de corrupção na Bolívia desde a chegada a presidente interina ao poder, seis meses atrás, com a acusação de compra com valor superfaturado de 170 respiradores junto a uma empresa da Espanha.

O negócio, fechado em tempo recorde de quatro dias, resultou no custo de US$ 27 mil (R$ 150,6 mil) por unidade do aparelho. O montante total gasto pelo governo do país sul-americano veio de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

*Com Agência EFE