Ministro italiano diz que Macron “exagerou no champanhe” ao criticar populismo

  • Por Agência EFE
  • 22/06/2018 15h01
Agência EFE"Governo italiano não aceitará lições de moral da França", afirmou o ministro

O ministro de Interior da Itália e líder do partido de extrema-direita Liga (antiga Liga Norte), Matteo Salvini, disse nesta sexta-feira (22) que o presidente francês, Emmanuel Macron, agiu como “um mauricinho educado que exagerou no champanhe” ao criticar o populismo na Europa.

“Macron não está mostrando grande simpatia nestes dias. Disse que quem não acolhe os imigrantes em seus portos é um populista leproso”, disse Salvini em um evento eleitoral em Massa, no centro do país, depois que vários de seus correligionários lhe pediram que falasse sobre a França.

Salvini tachou o líder francês como “um mauricinho educado que provavelmente exagerou no champanhe” e advertiu que o governo italiano, do qual também é vice-presidente, “não aceita lições dos franceses”.

Com esse discurso, o dirigente de extrema-direita se referiu às palavras do presidente francês, que recentemente alertou sobre a “hanseníase” que representava o aumento do populismo no seio da União Europeia, mas sem citar qualquer governo ou país concretamente.

Salvini afirmou que a França “mobiliza a polícia” na fronteira com a Itália, em frente à cidade de Ventimiglia, para impedir o acesso ao país dos imigrantes que vêm do território italiano.

Macron “tem todo o direito de fazê-lo, mas deveria pelo menos não incomodar (…). Se quer começar a ser generoso, que dê o número de sua Capitania dos Portos e as próximas dez embarcações (com imigrantes) mandamos para Marselha”, declarou Salvini, provocando o aplauso e os risos de seus simpatizantes.

O também vice-presidente e líder do antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5S), Luigi di Maio, qualificou na quinta-feira as palavras do presidente francês de “ofensivas e fora de lugar”.

O novo governo da Itália manteve alguns desencontros com a França de Macron pelo tema da imigração, depois que este tachou de “cínica” a política de Roma ao impedir o desembarque de 630 imigrantes resgatados pelo navio Aquarius, que é operado pelas ONGs francesas SOS Méditerranée e Médicos Sem Fronteiras (MSF) que, por fim, foram recebidos pela Espanha.