Mugabe ignora prazo de renúncia e pode enfrentar impeachment no Zimbábue

  • Por Jovem Pan com agências
  • 20/11/2017 10h57 - Atualizado em 20/11/2017 10h58
EFE/Aaron UfumeliPresidente do Zimbábue Robert Mugabe se recusa a renunciar

O presidente Robert Mugabe ignorou um prazo dado pelo partido governista, Zanu-PF, para que ele renuncie ou enfrente um processo de impeachment. A população local defende a saída de Mugabe e promete mais protestos para pressioná-lo.

Ativistas da oposição e veteranos da guerra da libertação anunciaram mais manifestações para pressionar Mugabe, de 93 anos, a renunciar após 37 anos no poder. Alguns membros do partido governista dizem que um processo de impeachment pode levar alguns dias até sua conclusão. Mugabe perdeu o comando de seu partido no domingo, em decisão do comitê central da sigla.

O vice-presidente deposto Emmerson Mnangagwa aparece como provável próximo líder do país, após o comitê do partido apontá-lo para a sucessão. Os militares parecem preferir uma renúncia voluntária e buscam realizar uma transição política sem sobressaltos. Mugabe e sua família ainda podem ter imunidade judicial.

Reunião

O chefe do grupo parlamentar da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), Lovemore Matuke, convocou uma reunião para as 16h (horário local, 12h de Brasília), segundo o portal “The Source”.

Depois de destituir Mugabe ontem da liderança do partido, a ZANU-PF estabeleceu um prazo até as 12h (8h) de hoje para que o presidente apresentasse sua renúncia.

No entanto, o ainda chefe de Estado, de 93 anos, não só não renunciou em discurso televisionado ontem à noite, como pediu uma “volta à normalidade” e anunciou que presidiria o congresso da ZANU-PF de dezembro, no qual a legenda confirmará a nomeação do ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa como líder e candidato para as eleições presidenciais de 2018.

Embora todas as informações indicassem que Mugabe – que está há 37 anos no poder – renunciaria ontem após negociar com os militares que o mantêm retido em sua residência desde terça-feira, o presidente tentou projetar uma mensagem de normalidade e assegurou que “leva em conta” as queixas de diferentes camadas da sociedade.

O levante militar aconteceu na madrugada de terça para quarta-feira, e os analistas apontam que o estopim foi a destituição de Mnangagwa, forçada pela primeira-dama, Grace Mugabe, e os ministros que apoiavam sua ambição de se transformar na sucessora de seu marido no poder.

Nesse sentido, as forças armadas negaram que se tratasse de um golpe de Estado e asseguraram que suas operações tinham como objetivo “levar perante a Justiça os criminosos” do entorno do presidente, e detiveram vários ministros até o momento.

Tanto Grace Mugabe como seus aliados foram expulsos ontem da ZANU-PF após uma reunião de seu Comitê Central.

Com informações de Estadão Conteúdo e EFE