Número de casos de ebola chega a 200 em surto no Congo

  • Por Jovem Pan
  • 12/10/2018 13h08
EFE/ STR O surto acontece na província de Kivu do Norte e se concentrou nas últimas semanas em uma de suas três cidades principais, Beni

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta sexta-feira que os casos de ebola no atual surto na República Democrática do Congo (RDC) chegaram a 200, dos quais 125 morreram, o que confirma novamente a alta mortalidade da doença.

O surto acontece na província de Kivu do Norte e se concentrou nas últimas semanas em uma de suas três cidades principais, Beni, de onde procedem 82% dos novos casos, indicou o porta-voz da organização, Tariq Jasarevic.

Apenas nesta última semana, 35 pessoas infectadas foram contabilizadas no total, das quais 29 residem em Beni, onde a OMS antecipou que irá concentrar os seus esforços.

Uma das principais razões para a expansão do vírus nessa cidade do leste da República Democrática do Congo é a insegurança, lembrou o porta-voz.

Kivu do Norte, assim como outras províncias vizinhas, são cenário de um conflito armado que envolve as forças governamentais e várias facções armadas rebeldes.

Um ataque recente que deixou vários civis mortos obrigou a OMS a suspender por alguns dias suas atividades de monitoramento epidemiológico, de acompanhamento das pessoas que tiveram contato com doentes, assim como de vacinação.

“Os ataques não estão dirigidos contra os trabalhadores que lutam contra o ebola, mas não permitem que as equipes funcionem com toda a sua capacidade diariamente. Às vezes, (os profissionais de saúde) podem ir a certas áreas apenas por algumas horas porque há protestos ou troca de tiros”, explicou Jasarevic.

Uma parte da população dessa região do país africano mostrou desconfiança e se recusa a seguir as recomendações da OMS para conter a transmissão do ebola, seja pelas sequelas causadas por décadas de conflito ou por crenças locais.

“Seguimos vendo casos de gente que primeiro recorrem a curandeiros que combinam medicina moderna e tradicional, e demoram a comparecer aos centros de tratamento, o que torna mais difícil salvar suas vidas”, explicou o porta-voz.

Para controlar o surto, 15 mil pessoas – entre elas profissionais de saúde – foram vacinadas contra o ebola e outras 8 mil pessoas que mantiveram contato com os doentes enquanto estavam com o vírus em processo de incubação ou quando começaram a apresentar sintomas.

*Com informações da Agência EFE.