Número de mortes por Aids diminuiu 12% na América Latina desde o ano 2000

  • Por Agência EFE
  • 20/07/2017 09h34
No ano 2000 morreram na região cerca de 43 mil pessoas, já em 2016 esse número caiu para 36 mil, um declínio a partir do aumento da disponibilidade de tratamentos antirretrovirais

O número de mortes relacionadas com a Aids na América Latina diminuiu, de forma constante, em 12% entre os anos 2000 e 2016, apesar dos dados “preocupantes” em países como a Bolívia, Guatemala, Paraguai e Uruguai, disse, nesta quinta-feira, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

No ano 2000 morreram na região cerca de 43 mil pessoas, já em 2016 esse número caiu para 36 mil, um declínio a partir do aumento da disponibilidade de tratamentos antirretrovirais, segundo o último relatório apresentado em Paris (França) pelo órgão.

Este “progresso significativo” é impulsionado pela redução das mortes relacionadas com a Aids no Peru (62% entre 2000 e 2016), Honduras (58%) e Colômbia (45%).

O número de portadores de HIV na América Latina totalizou 1,8 milhões e as novas infecções seguem estáveis desde 2010, com quase 100 mil casos por ano.

A UNAIDS revelou que a quantidade de soropositivos com acesso a tratamentos antirretrovirais quase dobrou em seis anos (58%), passando de 511.700 pessoas em 2010 para 1 milhão em 2016, o que coloca a região acima da meia mundial (53%).

O órgão advertiu, no entanto, que “alguns países têm dificuldades em implementar seus programas” de medicação, como a Bolívia, onde “apenas” 25% das pessoas têm acesso ao tratamento, ou no Paraguai, com 35%.

Na Venezuela, a crise econômica provocou a escassez “de muitos medicamentos essenciais, especialmente os antirretrovirais”, acrescentou.

Embora que tanto na Bolívia, Uruguai, Paraguai e Guatemala a mortalidade por Aids aumentou entre 2000 e 2016, nos dois primeiros, se inverteu nos últimos anos.

No caso da Bolívia, desde o pico alcançado em 2012, verificou-se uma queda nas mortes e no Uruguai também os números diminuíram após 2010.

Enquanto isso, na Guatemala a taxa de aumento é superior o 4%, após a estabilidade que se deu na mortalidade por Aids entre 2003 e 2011.

No Paraguai, também houve um período de estabilidade entre 2005 e 2010, mas desde então ocorre um aumento.

Um dos problemas na América Latina é o elevado custo dos tratamentos “em vários dos países mais afetados pelo HIV”, segundo o órgão, que elogiou as “licenças obrigatórias” promovidas pelo Brasil e o Equador, que permitem reproduzir um medicamento patenteado sem fins de uso comercial.

Além disso, cerca de um terço dos soropositivos são diagnosticados em um estado avançado da doença, que afeta “negativamente os esforços” médicos, segundo o relatório.

Classificado de ameaça para a saúde pública pela ONU, o HIV afeta um total de 36,7 milhões de mulheres e homens em todo o planeta, e desde a sua identificação, em 1981, provocou 36 milhões de mortes.