Nuvem de gafanhotos vista na Argentina se aproxima do Sul do Brasil

Segundo o governo argentino, os gafanhotos não representam perigo para os humanos. A praga, no entanto, pode destruir plantações e lavouras

  • Por Jovem Pan
  • 23/06/2020 16h21 - Atualizado em 23/06/2020 19h43
Senasa Argentina / Reprodução Imagem de reprodução do voo dos insetos

Uma nuvem de gafanhotos vem sendo monitorada pelo governo da Argentina nos últimos dias. De acordo com informações do Ministério da Agricultura do país vizinho, a infestação destrói plantações e lavouras por onde passa. Nesta terça-feira, 23, o país emitiu um novo alerta informando que a praga se aproxima da cidade de Entre Ríos, que faz fronteira com o Uruguai.

Um mapa interativo, divulgado pelo governo argentino, mostra a migração da nuvem de gafanhotos pelo território e classifica as regiões em vermelha (perigo), laranja (ameaça), amarelo (precaução) e verde (livre). As províncias de Corrientes, Santa Fé, Entre Ríos estão na zona vermelha. Já a Cidade del Leste está na região amarela. Os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul fazem fronteira com essas cidades.

No final da tarde de hoje, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileiro disse, em nota, que recebeu informações do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) sobre a nuvem de gafanhotos. Considerando a proximidade com a fronteira brasileira, a pasta emitiu alerta para as Superintendências Federais de Agricultura, com vistas aos órgãos estaduais de Defesa Agropecuária “para que sejam tomadas as medidas cabíveis de monitoramento e orientação aos agricultores da região, em especial no estado do Rio Grande do Sul, para a adoção eventual de medidas de controle da praga caso esta nuvem ingresse em território brasileiro”.

“Segundo a Coordenação-Geral de Proteção de Plantas do Mapa, as autoridades fitossanitárias brasileiras estão em permanente contato com os seus pares argentinos, bolivianos e paraguaios por meio do Grupo Técnico de Gafanhotos do Comitê de Sanidade Vegetal – COSAVE, o que tem permitido um acompanhamento do assunto em tempo real, com o objetivo de adotar as medidas cabíveis para minimizar os efeitos de um eventual surto da praga no Brasil”, consta no comunicado.

De acordo com o Ministério da Agricultura brasileiro, a praga está presente no País desde o século XIX e causou grandes perdas às lavouras de arroz na região sul nas décadas de 1930 e 1940. Desde então, tem permanecido na sua fase “isolada” que não traz problemas às lavouras, pois não forma as chamadas “nuvens de gafanhotos”. Recentemente, voltou a causar danos à agricultura na América do Sul, em sua fase gregária (formação de nuvens). A pasta afirmou, ainda, que os fatores que levaram ao reaparecimento na região “estão sendo ainda avaliados pelos especialistas e podem estar relacionados a uma conjunção de fatores climáticos, como temperatura, índice pluviométrico e dinâmica dos ventos”.

 

Segundo o governo argentino, os gafanhotos podem atravessar vilas e cidades, mas não causam danos diretos aos seres humanos – apenas as plantações e pastagens são afetadas. Agricultores da província de Formosa, que faz fronteira com o Paraguai, dizem que a infestação de gafanhotos veio do país vizinho e as plantações de mandioca, milho e cana de açúcar estão ameaçadas.

“Há gafanhotos em sua cidade? Não se assuste. Eles não transmitem doenças ou causam lesões. Os gafanhotos não representam perigo para humanos ou animais e só se alimentam de material vegetal”, diz um comunicado do Ministério da Agricultura argentino.

Veja a localização dos gafanhotos, de acordo com o governo argentino: 

Localização da nuvem de gafanhotos nesta terça-feira (23)