OMS alerta Europa para possíveis novas ondas do coronavírus

  • Por Jovem Pan
  • 26/03/2020 10h26 - Atualizado em 26/03/2020 10h28
Bruno Rocha/Estadão ConteúdoKluge garantiu que a atual crise sanitária deve servir para aprender lições e, a partir de agora, colocar a saúde "no topo da agenda política"

Os sistemas de saúde na Europa, continente que concentra 60% dos novos casos da covid-19, não devem baixar a guarda e precisam se preparar para possíveis segundo ou terceiros picos da pandemia.

Foi o que advertiu nesta quinta-feira (26) o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, Hans Kluge.

“Devemos estar cientes de que estamos diante de uma nova realidade: não se trata de uma corrida de velocidade, mas de uma maratona, e uma vez que as medidas restritivas sejam levantadas, pode haver um segundo ou terceiro pico de casos”, disse Kluge, por teleconferência direto de Copenhague, capital da Dinamarca.

“Se você prestar atenção à União Europeia e o vírus, por exemplo, se espalhar para o leste do continente, ele poderá retornar, este é um teste à nossa resistência e temos que ser solidários uns com os outros”, insistiu.

O médico belga destacou que em uma semana as infecções e mortes associadas ao novo coronavírus triplicaram na Europa, e quatro dos cinco países que mostram o maior avanço da pandemia são do Velho Continente (Espanha, Itália, França e Suíça).

“Há alguns sinais de esperança, como o fato de a Itália ter mostrado uma taxa de infecção ligeiramente menor nos últimos dias, mas é muito cedo para concluir que o país atingiu o pico de infecções”, disse ele.

Kluge garantiu que a atual crise sanitária deve servir para aprender lições e, a partir de agora, colocar a saúde “no topo da agenda política”, sem cometer o erro de virar rapidamente a página quando o pior tiver passado.

O diretor da OMS observou que a Ásia se mostrou “melhor preparada” nesta pandemia, graças em parte à experiência de ter sofrido grandes crises de saúde nos últimos anos, como as causadas por outros coronavírus, como SARS e MERS.

“Suas sociedades estão melhor preparadas para medidas drásticas”, reconheceu, insistindo que, ao aplicá-las, é preciso buscar um equilíbrio entre saúde, impacto socioeconômico e direitos humanos.

*Com informações da EFE