OMS: Faltam quase 6 milhões de enfermeiros no mundo

Segundo a entidade, mais de três mil enfermeiros que atuam na linha de frente de combate ao novo coronavírus já foram infectados com a covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 07/04/2020 14h58 - Atualizado em 08/04/2020 08h44
EFE/EPA/FABIO FRUSTACIDia Mundial da Saúde: OMS estima que faltam 5,9 mi de enfermeiros no mundo

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta terça-feira (7) mostra que faltam 5,9 milhões de enfermeiros no mundo. As regiões mais afetadas são a África e o Sudeste Asiático.

Diante desse cenário, a instituição destacou a necessidade urgente de elevar o número de profissionais da saúde em todos os continentes, melhorar suas condições de trabalho e valorizá-los. Os dados constam no relatório “Situação da Enfermagem no Mundo – 2020”, produzido pela OMS.

O documento foi anunciado pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma live nas redes sociais da entidade. Para comemorar o Dia Mundial da Saúde e também o aniversário de fundação da OMS, foram convidados enfermeiros e obstetrizes de diferentes regiões do planeta para darem seus depoimentos.

“Os profissionais de enfermagem são a coluna vertebral de qualquer sistema de saúde. Este relatório é uma clara lembrança do papel insubstituível que desempenham e é uma chamada de atenção para assegurar que esses profissionais recebam o apoio que necessitam para garantir a saúde do mundo”.

Segundo a OMS, mais de três mil enfermeiros já foram infectados com o novo coronavírus. “Como os trabalhadores da saúde estão na linha de frente da luta contra a covid-19, eles também estão entre os que estão mais em risco”.

De acordo com a OMS, os enfermeiros representam mais da metade dos profissionais de saúde em atuação. Há 28 milhões desses profissionais, que ficam na linha de frente na luta contra pandemias e epidemias que ameaçam a saúde global. A OMS reforça que é preciso aprimorar a formação desses profissionais e também capacitá-los para cargos de lideranças.

“Estamos pedindo aos países com escassez de enfermeiros que aumentem em 8% o número de enfermeiros formados a cada ano e que implementem medidas para melhorar o emprego e a retenção de enfermeiros no sistema de saúde”, afirmou Tedros.

O relatório revela ainda que 8 em cada 10 enfermeiros estão em nações que representam metade da população mundial. Portanto, os outros 50% da humanidade têm apenas 20% de profissionais de enfermagem.

A OMS destacou ainda que está comprometida em trabalhar para que os países forneçam o treinamento necessário, o reconhecimento que eles merecem e melhores condições de trabalho e salários.

“A mensagem é inequívoca: os governos têm de investir em uma aceleração da formação pessoal dos enfermeiros, na criação de empregos no setor e em lideranças. Sem os enfermeiros, obstetrizes e outros profissionais da saúde, os países não podem ganhar a batalha contra as epidemias e nem alcançar a cobertura universal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas”.

*Com informações do Estadão Conteúdo