ONU diz que tomada de 70% da Faixa de Gaza por Israel agravará sofrimento infantil

Desafiando o frágil cessar-fogo, Benjamin Netanyahu ordenou que o exército israelense avance para assumir o controle de 70% do território palestino

  • Por AFP
  • 29/05/2026 13h52
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Bashar Taleb / AFP Crianças brincam em meio ao lixo em frente à sede fechada da UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos, na Cidade de Gaza, em 20 de maio de 2025, em meio à guerra em curso entre Israel e o movimento militante palestino Hamas. Israel, intensificando sua ofensiva militar na Faixa de Gaza, enfrenta crescente pressão, inclusive dos Estados Unidos, seu principal aliado, para encerrar o bloqueio à ajuda humanitária imposto em 2 de março. (Foto de Bashar Taleb / AFP) Quase dois anos após o início da guerra entre Israel e Hamas, Gaza foi devastada e outros territórios palestinos sofrem as consequências do conflito.

A ONU advertiu, nesta sexta-feira (29), que o plano de Israel de assumir o controle de 70% da Faixa de Gaza quase certamente aumentará o sofrimento das crianças, já afetadas pelos graves problemas de superlotação.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou na quinta-feira (28) que ordenou ao exército que assumisse o controle de mais territórios na Faixa de Gaza, desafiando os termos do frágil cessar-fogo, que entrou em vigor em outubro.

Ele explicou que o exército controlava 50% do território sob os termos do cessar-fogo e depois avançou para assumir o controle de 60%.

“Minha diretriz é avançar até 70%”, afirmou. Mas o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou que esta medida agravaria a crise sanitária entre as crianças do território palestino devastado pela guerra, já afetadas pela falta de alimentos, água e acesso à higiene.

Mesmo antes dos ataques de 7 de outubro de 2023 do Hamas contra Israel, que desencadearam a guerra em Gaza, o território já era “um dos lugares mais densamente povoados do mundo”, explicou o porta-voz da Unicef, Salim Oweis.

Hoje, “a população está comprimida em 40% do espaço que lhe resta, se refugiando entre edifícios destruídos, escombros e acúmulos de resíduos sólidos”, destacou, acrescentando que “não há mais espaço acessível para retirar este lixo”.

“Os efeitos já são claramente visíveis: crianças com infecções respiratórias, diarreia aquosa aguda e mais da metade das famílias relatando doenças de pele”.

“Pulgas, piolhos e sarna são comuns”, acrescentou, destacando também vários casos de mordidas de ratos em crianças pequenas e até em bebês em tendas e abrigos.

Se Israel conquistar mais território, significará a perda de acesso a pontos de serviços e a zonas de difícil acesso onde vivem famílias e crianças, explicou Oweis.

“Isto só significará que mais crianças sofrerão”, enfatizou.

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