Palestino que vivia em campo de refugiados é morto por forças israelenses na Cisjordânia

Atiradores fazem parte de grupo que se disfarça para realizar incursões em cidades palestinas; assassinato aconteceu horas antes da visita do secretário de Estado dos EUA a Israel

  • Por Jovem Pan
  • 25/05/2021 12h07 - Atualizado em 25/05/2021 12h14
Reprodução Twitter PaliInfoArPalestinos enchem as ruas de Ramallah para o funeral de Ahmad Jamil Fahd, morto por israelenses nesta terça-feira, 25

O palestino Ahmad Jamil Fahd, que vivia no campo de refugiados de al-Amari na Cisjordânia, foi baleado e morto por forças israelenses na manhã desta terça-feira, 25. Segundo testemunhas ouvidas pela emissora de televisão Al Jazeera, o homem já cumpriu pena em uma prisão de Israel e tinha saído para comprar doces com seus amigos no bairro de Umm al-Sharayit quando foi baleado várias vezes à queima-roupa por israelenses. Os atiradores fariam parte de uma unidade secreta cujos membros se disfarçam de palestinos para realizar incursões na Cisjordânia, geralmente com o objetivo de prender ou matar. A vítima teria sangrado até a morte antes da ambulância conseguir chegar ao local. Um oficial de Israel disse à agência de notícias AFP que durante “tentativas de prisão” de “ativistas terroristas em Ramallah, uma das pessoas que ajudavam os os ativistas foi morta pela polícia da fronteira”. No entanto, um líder do partido Fatah, que governa a Cisjordânia, disse à imprensa palestina que Ahmad Jamil Fahd não era mais procurado pelos israelenses. Segundo ele, a agência de inteligência doméstica de Israel, o Shin Bet, está na verdade atrás dos tios da vítima. Fotos compartilhadas no Twitter mostram cenas do funeral de Ahmad, que aconteceu mais tarde no mesmo dia:

Antony Blinken visita Israel

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (direita) e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Anthony Blinken (esquerda), realizam uma coletiva de imprensa conjunta em Jerusalém

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Anthony Blinken (esquerda), e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (direita) realizaram uma coletiva de imprensa conjunta em Jerusalém

A morte do palestino Ahmad Jamil Fahd aconteceu horas antes do secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, chegar ao país para apoiar “os esforços para solidificar o cessar-fogo” entre Israel e a Faixa de Gaza, que está em vigor desde sexta-feira, 21. Blinken se encontrou com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, a quem pediu para “construir uma trégua” com as milícias de Gaza para “evitar um regresso à violência”. “Os Estados Unidos trabalharão para obter apoio internacional (para reconstruir Gaza), além de darmos nossa própria contribuição”, destacou durante coletiva de imprensa. Porém, ele deixou claro que o governo norte-americano assegurará que o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não se beneficie desta assistência. “Acreditamos que palestinos e israelenses merecem viver em segurança para desfrutar das mesmas medidas de liberdade, oportunidade e democracia, para serem tratados com dignidade”, frisou Blinken. Netanyahu, por sua vez, agradeceu o apoio diplomático norte-americano durante a recente escalada de violência e reiterou a sua ameaça de que, se houver violação da atual trégua, a resposta israelense será “muito forte”. Ainda nesta terça-feira, 25, o secretário de Estado se encontrou com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gabi Ashkenazi, e o ministro da Defesa, Benny Gantz. Na sequência, ele partiu para Ramallah, justamente a cidade onde Ahmad Jamil Fahd foi morto, para se reunir com o presidente da Autoridade Nacional PalestinianaMahmoud Abbas, e o seu primeiro-ministro, Mohammad Shtayyeh. Nos próximos dias, Blinken continuará sua visita ao Oriente Médio com viagens ao Egito, onde se encontrará com o presidente Abdul Fatah al Sisi, e à Jordânia, onde planeja realizar reuniões com o rei Abdullah II.

*Com informações da EFE