Parte dos agentes do ICE deixará Minneapolis nesta terça, diz prefeito

Em publicação nas redes sociais, Jacob Frey revela que continuará ‘pressionando para que os demais envolvidos nesta operação deixem a cidade’; dois cidadãos americanos morreram na região em menos de três semanas

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2026 10h05 - Atualizado em 27/01/2026 11h32
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OCTAVIO JONES / AFP Agentes federais da lei e policiais com equipamento antimotim confrontam manifestantes após o assassinato de um venezuelano por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis, Minnesota, em 14 de janeiro de 2026. Um agente federal de imigração atirou em um homem em 14 de janeiro em Minneapolis, disseram autoridades da cidade, pedindo ao público que "mantivesse a calma" uma semana depois que agentes atiraram e mataram uma mulher americana na mesma cidade. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, disse que o tiroteio resultou de uma luta em frente a uma residência entre um homem e um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na zona norte da cidade. Prefeito de Minneapolis revela que alguns agentes do ICE deixarão Minneapolis nesta terça-feira (27)

Alguns agentes federais de imigração deixarão Minneapolis nesta terça-feira (27), anunciou o prefeito da cidade, após o presidente Donald Trump suavizar sua posição em resposta à indignação nacional causada pelas mortes de dois manifestantes contra as operações de imigração.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou nas redes sociais que “alguns agentes federais” deixarão a cidade, embora não tenha especificado quantos. “Continuarei pressionando para que os demais envolvidos nesta operação deixem a cidade”, disse o prefeito, acrescentando que conversou com Trump na segunda-feira (26): “O presidente concordou que a situação atual não pode continuar”.

Trump suavizou seu tom na segunda em relação à tensa situação em Minnesota, afirmando que não quer que pessoas “se machuquem ou morram” durante os protestos contra as operações de sua administração contra imigrantes sem documentos, embora tenha pedido o fim da “resistência e do caos”.

Após as mortes de dois cidadãos americanos nas ruas de Minneapolis em menos de três semanas, o magnata republicano anunciou em sua rede Truth Social que conversou por telefone com o governador de Minnesota, Tim Walz, e com o prefeito Frey, e prometeu diálogo. “Foi uma ligação muito positiva e parece mesmo que estamos em sintonia”, disse, referindo-se ao governador.

Trump também anunciou o envio de seu czar da imigração, Tom Homan, ao estado do norte, incumbindo-o de informá-lo pessoalmente sobre a situação.

A mídia local havia noticiado que o chefe da polícia de fronteira, Gregory Bovino, deixaria Minneapolis, mas o governo negou essas informações.

A Casa Branca reagiu rapidamente quando o vídeo da morte mais recente viralizou e provocou protestos de rua, críticas dos ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama e, cada vez mais, de dentro do Partido Republicano de Trump.

A secretária de imprensa Karoline Leavitt expressou suas condolências pela morte de Alex Pretti, um enfermeiro que foi baleado e morto à queima-roupa por agentes de imigração no sábado, enquanto protestava em Minneapolis.

Antes, funcionários de alto escalão do governo Trump haviam classificado Pretti, de 37 anos, como um “terrorista doméstico”.

À justiça

A morte de Pretti ocorre após a de outra manifestante, Renee Good, uma americana de 37 anos que também foi baleada e morta por um agente federal em Minneapolis, no dia 7 de janeiro. A indignação com esses eventos chegou até mesmo ao lado republicano.

Na segunda-feira, Chris Madel, um dos advogados que representou o agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) envolvido, anunciou sua desistência da candidatura republicana ao governo de Minnesota.

“Não posso apoiar as represálias lançadas por republicanos em todo o país contra os cidadãos do nosso estado, nem posso me considerar membro de um partido que o faria”, enfatizou o advogado conhecido por defender as forças de ordem.

Segundo a imprensa americana, uma juíza federal prometeu tomar uma decisão rápida sobre o pedido do procurador-geral de Minnesota para suspender a operação anti-imigração no estado.

Por outro lado, membros democratas do Congresso ameaçam bloquear o financiamento do governo caso as agências federais de imigração não sejam reformadas.

‘Mentiras repugnantes’

Em Minneapolis, os moradores continuam prestando homenagem a Pretti em um memorial improvisado.

“É aterrorizante e profundamente desprezível poder executar alguém a sangue frio na rua e depois difamá-lo e mentir sobre o que aconteceu”, disse Stephen McLaughlin, um aposentado de 68 anos, à AFP na segunda-feira.

Assim como no caso de Renee Good, o governo culpou o enfermeiro, criticando-o por portar uma arma, para a qual, segundo as autoridades locais, ele tinha permissão.

Uma análise dos vídeos feita pela AFP parece contradizer a versão oficial que o retrata como uma ameaça. As imagens mostram o enfermeiro na rua, filmando com seu celular homens armados vestindo coletes com a palavra “polícia”. Ele intervém quando um policial empurra um manifestante e é atingido no rosto por gás lacrimogêneo. Um policial o imobiliza e vários de seus colegas intervêm.

Enquanto um policial de uniforme cinza parece retirar uma arma da cintura de Pretti, ajoelhado entre vários outros policiais, um tiro é disparado. Os policiais recuam abruptamente e disparam mais alguns tiros à distância. Pelo menos dez tiros são ouvidos.

Em um comunicado, seus pais acusaram o governo de espalhar “mentiras repugnantes” sobre seu filho.

*Com informações da AFP

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