Polícia faz operação em apartamento de Cristina Kirchner na Argentina

  • Por EFE
  • 23/08/2018 15h46
EFE/David FernándezInvestigação já rendeu a prisão de empresários

Um grupo da Polícia Federal da Argentina (PFA) chegou nesta quinta-feira (23) ao apartamento em Buenos Aires da ex-presidente Cristina Kirchner para realizar uma revista ordenada por um juiz por conta de uma investigação por suposto recebimento de subornos milionários de empresários.

Em meio a um grande número de jornalistas e seguidores da ex-governante, vários agentes entraram no edifício em que a atual senadora reside na capital no bairro de Recoleta, embora o juiz Claudio Bonadio tenha também solicitado revistas em suas duas casas em Río Gallegos e El Calafate.

Na noite de quarta-feira (22), o Senado deu sinal verde, por unanimidade, à solicitação de revista cursada por Bonadio, que quer buscar provas se Christina recebeu propinas de empresários de obras públicas durante os Executivos kirchneristas (2003-2015), pedido que necessitava da autorização da Câmara Alta por Christina contar com privilégios parlamentares.

“O que estão fazendo é assediá-la. Uma revista dificilmente é avisada com tantos meses”, apontou Gregorio Dalbón, um dos advogados de Christina, em entrevista à imprensa perante as portas da residência da ex-governante, que segundo veículos de imprensa locais passou a noite com sua filha Florença em um apartamento do bairro de Constituición.

A ex-presidente – que também votou a favor das revistas no Senado – convidou na terça-feira (21) os senadores que apoiaram a medida para acabar com o “show” que se tornou a situação, mas não conseguiu que também aprovassem as condições que tinha imposto: que não houvesse registro gráfico das revistas e garantias da presença de seus advogados.

Christina, envolvida em seis causas judiciais – quatro delas por corrupção – está convencida de que é vítima de uma perseguição política e judicial impulsionada pelo seu sucessor, Mauricio Macri.

A investigação já rendeu a prisão de empresários e ex-funcionários e foi revelado que um motorista do Ministério de Planejamento escreveu em um diário durante mais de uma década, nos quais contava como supostamente levava bolsas com dólares que empresários destinavam a membros do Governo.

Entre eles, supostamente, Christina e seu falecido marido, o também ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007).