Presidente de Uganda é reeleito pela sexta vez sob acusações de fraude

Facebook, Instagram e Whatsapp foram bloqueados a mando do governo dias antes da votação; líder da oposição Bobi Wine pediu aos que cidadãos rejeitem o ‘falso’ resultado

  • Por Jovem Pan
  • 18/01/2021 16h26 - Atualizado em 18/01/2021 18h22
EFE/EPA/STRO opositor Bobi Wine afirma que as eleições foram fraudadas a favor da reeleição do presidente

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, foi reeleito pela sexta vez consecutiva neste sábado, 16. A comissão eleitoral do país informou que o atual chefe do governo obteve 58,6% dos votos, enquanto o seu principal opositor, Bobi Wine, conquistou apenas 34,8%. O resultado, no entanto, está sendo questionado dentro e fora do país. Além de ter negado dezenas de pedidos de credenciamento para monitoramento das eleições, o governo ordenou o bloqueio do Whatsapp, do Facebook e do Twitter na terça-feira, 12. A internet também foi desligada em todo o país na quarta-feira, 13. Como Uganda é um país de população jovem – 80% tem menos de 30 anos -, as redes sociais possuem um peso considerável na opinião pública sobre os candidatos à presidência. A internet foi retomada em 90% nesta segunda-feira, 18, mas as mídias sociais e os aplicativos de mensagem continuam restritos.

No poder desde 1986, o conservador Yoweri Musevani, 76 anos, conquistou as manchetes internacionais por suas colocações polêmicas. Entre outras medidas, ele implementou sentenças severas a “atos homossexuais” e afirmou ter a intenção de proibir a prática de sexo oral que, segundo ele, faz com que as pessoas adeptas contraiam vermes. Bobi Wine, por outro lado, é um ex-músico e cantor que ingressou na carreira política com a promessa de uma Uganda “nova e livre onde qualquer um pode estar em desacordo com quem estiver no poder”. Ele chamou as eleições desta quinta-feira, 14, de uma “fraude completa”. À agência de notícias Reuters, Wine afirmou estar sendo mantido em prisão domiciliar e disse ter evidências, que serão apresentadas em breve, de que os militares forçaram as pessoas a votar em Museveni.

*Com informações de agências internacionais