Príncipe saudita assume responsabilidade por morte de jornalista, mas nega envolvimento

  • Por Jovem Pan
  • 26/09/2019 13h17 - Atualizado em 26/09/2019 13h20
Reprodução/FacebookJamal Khashoggi, morto em outubro de 2018, era colunista no Washington Post

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, assumiu a responsabilidade pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, colunista no Washington Post, morto no dia 2 de outubro do ano passado no consulado do seu país em Istambul, Turquia. Segundo Salman, mesmo que tenha ocorrido sem seu conhecimento, o crime foi praticado sob seu “mandato”.

Aconteceu sob minha guarda. Eu assumo toda a responsabilidade, porque aconteceu sob minha guarda — disse o príncipe, entrevista para um documentário do canal americano PBS, que será exibido na semana que vem. O testemunho foi dado em dezembro de 2018 depois que a Arábia Saudita já havia admitido o assassinato do jornalista e acusado 11 pessoas.

Quando perguntado como isso poderia acontecer sem que ele soubesse, Salman respondeu, ainda de acordo com o programa, que são muitas pessoas dentro de um país. “Somos 20 milhões de pessoas. Temos três milhões de funcionários do governo. “Temos funcionários, ministros para acompanhar as questões e eles são responsáveis. Eles têm autoridade para fazer isso”, acrescentou, ao ser questionado se esses funcionários públicos podem pegar um avião por conta própria.

De acordo com as investigações, 15 pessoas estariam envolvidas no assassinato de Khashoggi e o posterior desmembramento e desaparecimento de seu corpo.

A relatora das Nações Unidas para execuções extrajudiciais, Agnes Callamard, disse em um relatório divulgado no mês de junho que o Estado saudita “deve ser responsabilizado” pelo assassinato e apontou para “evidências credíveis” que ligam Bin Salman à morte de Khashoggi.

O príncipe Bin Salman, de 34 anos, ocupa oficialmente o cargo de vice-primeiro-ministro da Arábia Saudita e, desde 2017, é o aparente herdeiro do trono saudita que desde 2015 ostenta seu pai, o rei Salman bin Abdulaziz.

Nos dias posteriores ao seu desaparecimento, Riad negou qualquer relação com o assassinato, embora três semanas depois, quando as evidências apareciam, confessou que Khashoggi tinha morrido durante uma briga acidental. Finalmente, o governo saudita admitiu que o assassinato de Khashoggi foi premeditado, mas negou qualquer ligação entre os autores e a família real.

*Com informações da Agência EFE