Manifestantes protestam contra racismo e violência policial em diversos países

  • Por Jovem Pan
  • 06/06/2020 19h48
EFE/EPA/OMER MESSINGERManifestantes levaram cartazes com rosto de George Floyd em ato na capital da Alemanha neste sábado (6)

Dezenas de milhares de pessoas se reuniram neste sábado (6) em grandes marchas de solidariedade ao redor do mundo para denunciar o racismo e a violência policial após o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, no último dia 25 de maio.

Os protestos antirracistas pela morte de Floyd, ocorrida depois que um policial pressionou o joelho contra o pescoço do homem de 46 anos por quase nove minutos em Minneapolis, impedindo-o de respirar, têm ocorrido em todo o planeta, com casos locais similares relatados em vários países.

Na Austrália, dezenas de milhares de pessoas marcharam por várias cidades em apoio às manifestações após a morte de Floyd e para protestar contra o racismo, incluindo a morte de aborígenes australianos enquanto estavam sob custódia das autoridades.

“O racismo é uma pandemia”, “O silêncio branco é violência” e “Parem as mortes sob custódia policial” estavam entre as frases escritas nos cartazes que acompanharam as bandeiras aborígines durante caminhada em Sydney, onde cerca de 10 mil pessoas se reuniram.

“Nós somos os proprietários tradicionais desta terra e estamos unidos não só pela cor com nossos irmãos negros na América, mas com os índios nativos. Temos algo em comum com todas as nações negras do mundo porque fomos colonizados com violência e genocídio”, declarou um ancião aborígine durante o protesto.

Centenas de pessoas se manifestaram pacificamente nas ruas de Tóquio e Seul para denunciar o racismo em torno da morte de Floyd. Na capital japonesa, cerca de 500 pessoas de várias nacionalidades caminharam e protestaram em frente à estação Shibuya, de localização central e popular.

Em Seul, cerca de 100 pessoas, incluindo vários americanos, marcharam pelo centro de Myeongdong levando mensagens com a frase “Vidas negras importam”, que se tornou o slogan dos protestos nos EUA.

Europa

No Reino Unido, uma multidão, composta em sua maior parte por pessoas usando máscaras e luvas por causa do coronavírus, se reuniu na Praça do Parlamento, no centro de Londres. Também foram convocadas manifestações em outras partes do país.

Em um comunicado conjunto, as organizações britânicas Freedom from Torture e Joint Council for the Welfare of Immigrants exigiram que o governo de Londres aja contra o racismo, o qual consideram “sistêmico”, que também existe no Reino Unido.

Ambas afirmaram haver um tratamento discriminatório arraigado, que afeta áreas como educação, habitação, emprego e saúde, e que isso ficou mais evidente durante a crise sanitária, que causou proporcionalmente mais mortes entre minorias étnicas do que no restante da população do país.

Em Paris, entre 1 mil e 2 mil pessoas se reuniram ao lado da Place de la Concorde, a algumas centenas de metros da embaixada dos EUA, onde pretendiam celebrar a sua convocação. Porém, foram impedidos por um forte cordão policial que tinha bloqueado com cercas e veículos o acesso a um amplo perímetro de vários quilômetros, que incluía boa parte da avenida Champs-Élysées.

Segundo o porta-voz da Brigada contra Negrofobia, Franco Lolla, o objetivo era prestar homenagem a Floyd, mas também denunciar o racismo institucional que, segundo ele, está “gangrenando a França”.

Outra ação reuniu as famílias de pessoas que denunciam ter sido vítimas de violência policial e que formaram um coletivo que pediu para ir ao Campo de Marte “ampliar o movimento de solidariedade contra a impunidade das forças da lei e da ordem”. Houve protestos também em Lyon, Bordeaux, Lille e Rennes.

Em Atenas, uma manifestação contra a violência policial contra cidadãos negros nos EUA levou a confrontos no centro da cidade. Várias pessoas se separaram do corpo do protesto e atiraram pedras contra a tropa de choque, que respondeu atirando gás lacrimogêneo. Ao todo, sete pessoas foram detidas.

Milhares de pessoas se juntaram à onda de solidariedade na Alemanha, onde manifestações silenciosas foram convocadas em cerca de 20 cidades. Na Alexanderplatz, no centro de Berlim, cerca de 15 mil manifestantes se juntaram, segundo a polícia; em Hamburgo, as forças de segurança fizeram uma estimativa indicando que o número de participantes foi de cerca de 14 mil; Também houve protestos em Frankfurt (8 mil pessoas), Munique (7 mil) e Dresden (4 mil).

E em Düsseldorf, onde cerca de 1 mil pessoas se reuniram, os manifestantes guardaram 8 minutos e 46 segundos de silêncio, exatamente o tempo em que o policial acusado de assassinato de segundo grau permaneceu com o joelho contra o pescoço de Floyd.

*Com EFE