Após morte de cantor popular, protestos na Etiópia deixam ao menos 156 mortos

Outras 167 pessoas foram gravemente feridas e mais de mil foram presas até o momento

  • Por Jovem Pan
  • 05/07/2020 10h42
EFE/EPA/IAN LANGSDONO cantor foi morto a tiros no bairro Akaki Kality, na região sul de Adis Abeba

Ao menos 156 pessoas morreram nos protestos que abalaram a Etiópia após a morte do popular cantor oromo Hachalu Hundessa na última segunda-feira (29), informou a polícia da região de Oromia. O comissão adjunto da polícia da região, Girma Gelam, afirmou ao canal de televisão “Fana Broadcasting Corporate (FBC)” no sábado (4), que “após a morte de Hachalu, 145 civis e 11 agentes de segurança perderam suas vidas nos tumultos na região”.

Segundo ele, outras 167 pessoas foram gravemente feridas e mais de mil foram presas até agora. Hachalu Hundessa, de 34 anos, era famoso por suas canções de protesto político pró-Oromia, Hachalu. O cantor foi morto a tiros no bairro Akaki Kality, na região sul de Adis Abeba. Ele chegou a ser socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Embora a polícia tenha aberto uma investigação e vários suspeitos estejam sob custódia, protestos violentos de apoiadores do artista, que ficou conhecido como a trilha sonora da revolução oromo, foram repetidos cidades do país. Entre os primeiros apoiadores a serem presos estão o líder opositor oromo, Bekele Gerba, e o conhecido ativista étnico, Jawar Mohammed, um aliado do primeiro-ministro, Abiy Ahmed, mas muito crítico em relação à sua administração nos últimos meses.

ONU e União Africana pedem calma

As Nações Unidas e a União Africana (UA) convocaram neste domingo (5) tanto os manifestantes quanto as forças policiais à calma e ao diálogo. Os protestos colocam em questão a gestão do atual premiê. Abiy Ahmed, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado, já vê ameaçada a vitória nas eleições que deveriam ter sido realizadas neste ano, mas foram adiadas pela pandemia da Covid-19.

A letra de Hachalu frequentemente abordava os direitos da etnia Oromo e desempenhava um papel importante na onda de protestos que levou à ascensão de Abiy ao poder em abril de 2018. Sua ascensão ao cargo de chefe de governo deu fim a décadas em que a coalizão governante multiétnica foi dominada pelos líderes da minoria Tigray.

*Com informações da EFE