Protestos no Equador já duram mais de duas semanas e causaram mais de R$ 500 milhões em prejuízos

Setores como o avícola, o comércio e a produção de petróleo foram fortemente atingidos pelas manifestações iniciadas pelos indígenas

  • Por Jovem Pan
  • 26/06/2022 23h53
EFE/ José Jácome Manifestantes com bandeiras do Equador são observados por policiais Manifestações no Equador já se prolongam há mais de duas semanas

Os milhares de manifestantes indígenas que seguem mobilizados em protesto contra o governo do Equador, se mantiveram neste domingo, 26, como eles próprios afirmam, “em pé de luta”, apesar do cansaço pelas duas intensas e duras semanas de atos. Os manifestantes chegaram à Quito, vindos de todos os cantos do território equatoriano. A repressão, com confrontos e bombas de gás lacrimogêneo não reduziu a força dos protestos. As manifestações já causaram impacto negativo de US$ 500 milhões (R$ 2,61 bilhões), segundo estimativas divulgadas neste domingo pelo Executivo presidido pelo conservador Guillermo Lasso.

O ministro da Produção, Comércio Exterior, Investimentos e Pesca, Julio José Prato, apontou, em entrevista coletiva, que o setor privado deixou de faturar no período cerca de US$ 225 milhões (R$ 1,17 bilhão), especialmente, por causa do bloqueio de rodovias e a obstrução de cidades. Segundo o integrante do governo, o montante sobe, diariamente, no setor privado, de US$ 40 milhões a US$ 50 milhões. De acordo com Prado, o prejuízo do comércio equatoriano gira em torno de US$ 90 milhões (R$ 470,9 milhões), especialmente, com Quito e Cuenca sendo as cidades mais afetadas, com as vendas caindo cerca de 60%. O ministro advertiu que a cadeia produtiva no com situação “extremamente crítica” é a avícola, com “grande quantidade de frangos tendo que ser sacrificados ou não resistindo à falta de alimentos”. Nos setores agrícola e pecuário, as perdas econômicas foram estimadas em cerca de US$ 90 milhões. O setor petrolífero, um dos pilares da economia do Equador, registra impacto negativo de US$ 96 milhões, ao deixar de produzir nas últimas duas semanas 1 milhão de barris de petróleo, mais de 80% deles produzidos pela estatal Petroecuador.

Ao todo, os manifestantes têm dez demandas, que vão desde medidas para aliviar as finanças das famílias mais pobres até outras que vão contra a política do governo. Há exigências, por exemplo, da redução e congelamento de preços dos combustíveis, o controle dos preços dos produtos de primeira necessidade, o perdão das dívidas de famílias campesinas e o respeito aos direitos indígenas. Além disso, é cobrado que empresas estatais não sejam privatizadas e não haja aumento nas atividades de mineração e de extração de petróleo. Os protestos no Equador começaram em 13 de junho, convocados, principalmente, pela Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie). Outras organizações de campesinos, assim como sindicatos e entidades estudantis também participam das manifestações. Até o momento, foram registradas cinco mortes e 200 pessoas feridas entre manifestantes e agentes das forças de segurança, além de 100 detenções, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.

*Com informações da EFE