Rússia pode conquistar objetivos nos próximos meses e deixar Ucrânia sem acesso ao mar, afirma EUA

Diretora de Inteligência Nacional americana diz que Putin quer estender a guerra até a Transnístria, mas que ‘não poderá chegar até lá sem decretar mobilização geral’

  • Por Jovem Pan
  • 10/05/2022 18h18 - Atualizado em 10/05/2022 18h22
FADEL SENNA / AFP Donbass Fumaça sobe perto da cidade de Severodonetsk, região de Donbas, em 7 de abril de 2022, em meio à invasão militar da Rússia lançada na Ucrânia

Os Estado Unidos informaram nesta terça-feira, 10, que a Rússia intensificou suas ofensivas no leste da Ucrânia, local onde fica localizado o Donbass, e que as intenções de Vladimir Putin vão muito além desse território. “Putin se prepara para um longo conflito na Ucrânia durante o qual tem a intenção de atingir objetivos além do Donbass”, declarou a diretora de Inteligência Nacional americana, Avril Haines, ao Congresso. A alta funcionária advertiu que nos próximos meses pode haver “uma escalada”, mas afirmou que Putin “só autorizará o uso de armas nucleares se perceber uma ameaça existencial para o Estado ou o regime russo”.

Haines também alertou que Putin quer estender a guerra até a Transnístria, ainda que isso implique em uma escalada militar e no estabelecimento da lei marcial na Rússia. O desejo por essa região já foi informado por um general russo. Entretanto, até o momento, o Kremlin não comentou sobre a declaração. A diretora de Inteligência Nacional americana destaca que é possível que as forças russas alcancem este objetivo – conquistar Donbass – nos próximos meses, mas “não poderão chegar à Transnístria e incluir Odessa sem decretar uma forma de mobilização geral”. O Exército russo renunciou ao controle de Kiev e se mobilizou no sul e leste do país, oficialmente para “libertar” as regiões separatistas de Donetsk e Luhansk, no Donbass, o que permitira a Moscou controlar totalmente o mar de Azov e lhe garantiria uma continuidade.

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