Trump assina decreto e reconhece soberania de Israel sobre Colinas do Golã

  • Por Jovem Pan
  • 25/03/2019 15h22
EFEO primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, comemorou a decisão e disse que esse é um momento histórico para o país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira, 25, um decreto no qual reconhece oficialmente a soberania de Israel sobre as Colinas do Golã, ocupadas pelo país desde 1967 após a Guerra dos Seis Dias.
“Isso é algo que deveríamos ter feito há muitas décadas”, disse Trump, acompanhado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao assinar o decreto presidencial.

Os Estados Unidos são o primeiro país a reconhecer a soberania israelense sobre a área, que pertencia à Síria antes da Guerra do Seis Dias. As Colinas de Golã foram anexadas por Israel em 1981, em um movimento criticado pela comunidade internacional.

“As ações agressivas do Irã e de grupos terroristas seguem transformando as Colinas de Golã em uma plataforma de lançamento de ataques contra Israel”, justificou Trump ao assinar o decreto.

Netanyahu comemorou a decisão do presidente americano e afirmou que esse é um momento histórico para Israel.

“Para mim era muito importante vir até aqui na Casa Branca. Israel teve a sorte de ter muitos amigos dentro do Salão Oval durante muitos anos, mas nunca tivemos um amigo melhor do que o senhor”, disse o primeiro-ministro israelense a Trump.

A Casa Branca antecipou a decisão na quinta-feira, 21. O decreto foi assinado duas semanas antes das eleições gerais de Israel e será muito útil na campanha de Netanyahu para se manter no poder.

Numa reação à declaração feita no twitter na quinta, 21, de que reconheceria a soberania de Israel sobre Golã, alguns países se manifestaram.

O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, disse que a ação dos EUA poderia desestabilizar a situação no Oriente Médio, que já é tensa. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, rotulou de “irresponsável” a declaração de Trump.

O Ministério das Relações Exteriores britânico declarou na sexta-feira, 22, que o Reino Unido considera as Colinas do Golã um território da Síria “ocupado” por Israel e que não pretende reconhecer sua anexação.

O Irã, forte aliado do regime sírio, afirmou, assim como a Rússia, que a intenção de Trump, se viesse a se concretizar, geraria outra crise na região. “As políticas americanas são perigosas para o mundo”, ressaltou em comunicado o Ministério das Relações Exteriores do país.

Já a China pediu “respeito” às resoluções da ONU sobre as Colinas de Golã. “A respeito dos territórios árabes ocupados, incluindo as Colinas de Golã, existem pontos muito claros traçadas pela ONU nas resoluções 242 e 338”, lembrou em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang. A decisão de Trump entra em conflito com a resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, que pediu a Israel para se retirar dos territórios que tinha ocupado após a guerra de 1967, assim como com o acordo de cessar-fogo que Israel e Síria assinaram em 1974.

Tal pacto estabelece uma zona desmilitarizada na região entre ambos os países, que continuam tecnicamente em estado de guerra pelo controle desse território.

*Com EFE