Ucrânia aprova estado de emergência em meio a avanço da Rússia

Durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, Dmytro Kuleba cobrou ações rápidas da comunidade internacional

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2022 18h13 - Atualizado em 23/02/2022 18h24
TIMOTHY A. CLARY / AFP - 23/02/2022 Kuleba ministro de relações exteriores Dmytro Kuleba afirmou que o petróleo russo tem 'cheiro de sangue ucraniano'

A Ucrânia decretou, nesta quarta-feira, 23, estado de emergência e pediu que os seus cidadãos na Rússia deixem o país. Nos últimos dias, os bombardeiros se intensificaram na fronteira leste, onde o presidente reconheceu a independência de duas regiões rebeldes apoiadas por Moscou, e decretou o destacamento de tropas russas como mantenedores da paz. Além do estado de emergência de 30 dias, o governo ucraniano anunciou que haverá serviço militar obrigatório para todos os homens em idade de combate. Os websites do Parlamento, do gabinete e do Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia estão fora do ar. Os websites do governo passaram por várias quedas nas últimas semanas, por conta do que o governo de Kiev classifica como ataques digitais.

Durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada também na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, criticou as últimas ações de Vladimir Putin, cobrou ações rápidas das Nações Unidas e da comunidade internacional, e disse que a única razão para terem aumentado as suas defesas é porque o presidente russo negou o direito da Ucrânia existir. “A Ucrânia nunca planejou e não planeja nenhuma ofensiva na região de Donbass e nenhuma provocação ou sabotagem. A única razão para termos aumentado as nossas defesas foi por causa da fala do Vladimir Putin, que tirou o direito da Ucrânia de existir”, disse Kuleba sobre as alegações do governo russo de que a Ucrânia estaria comprando armamento de seus aliados.

Vários países estiveram presentes na sede das Nações Unidas para discutir a crise entre Rússia e Ucrânia após o reconhecimento de independência de duas regiões separatistas pelo governo de Vladimir Putin, o envio de tropa para as fronteiras e a aprovação do Congresso russo para uso de forças militares no exterior. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia defendeu que as ações mais importantes a serem tomadas são não repetir os erros do passado, e que ele acredita no mundo livre e na habilidade conjunta de evitar uma catástrofe na Europa. “É por isso que hoje me dirijo a vocês em nome dos milhões de ucranianos que só querem viver em paz e prosperidade”, declarou Kuleba, que complementou dizendo que a crise foi criada e de forma unilateral pela federação russa, e que se trata de uma atitude revanchista com a Europa.