Vaticano sugere que pode admitir ordenação de padres casados na Amazônia

  • Por Jovem Pan
  • 17/06/2019 12h25
EFEObjetivo da Igreja seria aumentar o número cada vez menor de sacerdotes na região

O Vaticano informou, nesta segunda (17), que poderá permitir a ordenação de padres casados e residentes na região da Amazônia. A afirmação foi feita no documento preparatório para o Sínodo dos Bispos, evento que ocorrerá em outubro no Brasil e discutirá a evangelização de povos nativos e a preservação da floresta.

Francisco, o primeiro papa latino-americano da história, dá especial atenção à situação sacramental e ambiental das comunidades amazônicas.

A ideia já era discutida desde o ano passado, após a convocação da assembleia episcopal pelo papa Francisco. “Afirmando que o celibato é um presente para a Igreja, se pede que, nas zonas mais remotas da região, se estude a possibilidade de ordenação sacerdotal de idosos, preferivelmente indígenas, respeitados e aceitos por sua comunidade, ainda que já tenham uma família constituída e estável”, diz o documento.

A ideia seria estender o sacerdócio aos chamados “viri probati”, homens casados, de fé comprovada e capazes de administrar espiritualmente uma comunidade de fiéis. O objetivo seria aumentar o número cada vez menor de padres na Amazônia.

O documento ressalta que as comunidades amazônicas enfrentam dificuldade para celebrar a Eucaristia por falta de sacerdotes. “Por isso, ao invés de deixar as comunidades sem Eucaristia, devem ser mudados os critérios de seleção e preparação de ministros autorizados a celebrá-la”, diz o Vaticano.

O relatório ainda evidencia a “contribuição decisiva” de homens e mulheres nativos para “dar impulso a uma autêntica evangelização do ponto de vista indígena, segundo seus hábitos e costumes”. “Trata-se de indígenas que pregam a indígenas com um profundo conhecimento de sua cultura e seu idioma, capazes de comunicar a mensagem do Evangelho com a força e a eficácia de sua bagagem cultural”, acrescenta o documento.

Além disso, o Vaticano pede aos bispos que discutam formas de garantir espaços de “liderança” às mulheres, especialmente na área de formação. Entre outras coisas, o relatório sugere que seja “identificado o tipo de ministério oficial que possa ser conferido às mulheres, tendo em conta o papel central que elas desenvolvem na Igreja amazônica”, diz o texto.

O documento também cita o “alarmante” número de “mártires” na Amazônia, especificamente no caso do Brasil, com 1.119 índios assassinados entre 2003 e 2017, segundo dados do relatório Violência contra os Povos Indígenas.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, já admitiu que o Sínodo sobre a Amazônia gera “preocupação” no governo Bolsonaro – que vem sendo criticado internacionalmente por afrouxar as políticas ambientais do Brasil.

Estadão Conteúdo