Na China, Putin defende acordos em comércio, agricultura, energia e tecnologia

  • Por Estadão Conteúdo
  • 25/06/2016 12h28
SER10 SAN PETESBURGO (RUSIA) 17/06/2016.- El presidente ruso, Vladímir Putin, durante una rueda de prensa junto al primer ministro italiano, Matteo Renzi (fuera de imagen), tras su reunión en el marco del Foro Económico Internacional de San Petersburgo (SPIEF), en Rusia hoy, 17 de junio de 2016. EFE/Sergey ChirikovVladimir Putin - EFE

O presidente russo, Vladimir Putin, destacou neste sábado durante visita à China os laços econômicos da Rússia com o país asiático e elogiou a relação com os chineses, avaliada como “muito abrangente e estratégica”. Putin declarou ao primeiro-ministro chinês Li Keqiang que tal relação eram baseada firmemente em interesses econômicos comuns, em referência ao desejo russo de mais investimentos e importações chinesas de petróleo, gás e itens militares. “Nossas relações realmente têm a marca de uma parceria abrangente e estratégica”, disse Putin a Li no início do encontro no Grande Salão do Povo, em Pequim. 

Após encontro com o primeiro-ministro, Putin se reuniu com o presidente chinês, Xi Jinping, a quem disse que os povos dos dois países têm um forte desejo de “fortalecer e desenvolver nossas relações”. “Estou certo de que nossos países podem alcançar sucesso maior em todas as áreas do comércio, em investimentos, agricultura, energia e, claro, alta tecnologia, que é uma prioridade para nós”, disse Putin a Xi. Em retorno, Xi afirmou que os dois países devem “promover amplamente a ideia de serem amigos para sempre”. 

Líderes dos dois países têm enaltecido o florescimento da parceria estratégica entre os antigos rivais comunistas, apesar do forte declínio no comércio bilateral envolvendo Rússia e China e do fracasso na tentativa de converter tais parcerias em projetos mais ambiciosos. Observadores atribuem o progresso lento à dura posição de barganha adotada por Pequim e às profundas suspeitas do Kremlin sobre o crescente poderio chinês.

A relação pessoal entre Putin e Xi e seu desejo de conter a dominação global dos Estados Unidos são apontadas como as principais causas da cooperação entre os dois países. O novo impulso da Rússia em reforçar as relações com a China surgiu após os EUA e a União Europeia terem imposto uma série de sanções a Moscou, em reação à anexação da Crimeia em março de 2014. Com as sanções, EUA e UE interromperam o acesso russo aos mercados financeiros mundiais e bloquearam a transferência de tecnologias ao país. Moscou também foi removido do grupo das oito principais nações industrializadas do mundo. 

Em maio de 2014, Putin visitou Pequim e assinou diversos acordos, incluindo um contrato de 30 anos de fornecimento de gás natural no valor de US$ 400 bilhões, como forma de mostrar ao Ocidente que a Rússia tinha outras opções viáveis para vender sua produção. Desde então, havia a expectativa de que outros acordos ambiciosos fossem fechados, mas a maioria fracassou em meio a incertezas quanto à economia russa. 

A forte desvalorização da moeda do país, associada aos impactos da queda dos preços do petróleo e das sanções ocidentais foram determinantes para o recuo no comércio bilateral entre China e Rússia, que caiu de cerca de US$ 100 bilhões em 2014 para pouco mais de US$ 60 bilhões no ano passado. O setor de energia é responsável por dois terços das exportações russas para a China.