“Não é mera cobrança”, diz presidente da Ceagesp, Mário Maurici

  • Por Jovem Pan
  • 14/03/2014 16h27

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) virou praça de guerra na manhã dessa sexta-feira por causa de um protesto contra a nova regra de cobrança do estacionamento. Segundo o comandante-geral da Policia Militar do Estado de São Paulo, Benedito Roberto Meira, um pequeno grupo externo se infiltrou nos protestos e causou a destruição.

Em entrevista exclusiva à Rádio Jovem Pan, o presidente da Ceagesp, Mauro Maurici, lamentou o ocorrido e rebateu as críticas feita pelo Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo. “É preciso lembrar que eu tenho dezenas de atas de reunião que eu fiz de Sindicato, não podemos ser acusados de não ter procurado ouvir as entidades”, afirma.

Segundo ele, a medida foi necessária pois o Ceagesp tem hoje “um corpo grande numa camisa pequena”. “Não é mera cobrança”, afirma. No local, são comercializados 11 mil toneladas de produtos todos os dias, com uma média de 15 mil veículos circulando num espaço de 18 horas, o que ocasiona problemas recorrentes no trânsito local. “Estamos tentanto implantar uma situaçao de tirar do mercado os caminhões que não estão carregando ou descarregando produtos”, afirma. “Ou fazemos isso ou teremos que retirar o entreposto para um lugar mais afastado, o que não é nosso esforço nesse momento.”

De acordo com Maurici, a arrecadação é somente para custear a operação do sistema, que envolverá mcerca de 120 funcionários por dia. “O entreposto foi construído há mais de 40 anos, quando os caminhões não tinham mais do que 10 metros”, diz. “O espaço entre os pavilhões, que é de 40 metros, hoje é muito reduzido, o que dificulta a manobra.”

Questionado sobre o valor da tarifa, ele afirmou que não considera um valor alto.”A tarifa menor seria quanto? Quatro reais é a tarifa. Não considero uma tarifa alta”, disse. “Aplique quatro reais que é o que vai encarecer, em cada caminhão com 10 toneladas de mamão. Quantos reais vai encarecer cada mamão?”

Maurici afirma que “quem vai pagar a conta, qualquer que seja a forma de cobrança será sempre o cidadão. Se fosse Estado investindo, seria o cidadão contribuinte. No caso, pretendemos que quem pague é quem use o serviço. O sujeito que vai comprar e o sujeito que vai vender”.

Futuro
Com o tumulto, não será possível realizar a cobrança automática nos próximos dias, uma vez que o equipamento de validação dos tickets foi destruído. “Estamos do meio do caos. Vamos ter que reavaliar tudo isso. Não tenho uma resposta pronta”, disse.

No início dessa tarde, a Ceagesp afirmou que a cobrança ocorrerá de forma manual nos próximos dias. Logo após, voltou atrás e afirmou que ficará fechado nesse final de semana (15 e 16 de março)

“O episódio de hoje deu uma boa ideia para a sociedade brasileira, que é entender que aquele é um espaço que foi largado pelos sucessivos governos ao longo do tempo e que foi apropriado por privados”, diz. “Não estou dizendo os permissonários que é um trabalhador que temos que respeitar, mas tem muito outros personagem que circulam dentro do mercado. Uma parte dessas pessoas está aí, que vocês viram fazendo essa depredação, que eu tenho certeza de que não são tem carregarores, nem caminhoneiros, nem permissionários, nem funcionários.É gente alheia ao mercado.”

* Atualizado às 17h36