Nepal luta contra o relógio para encontrar sobreviventes de terremoto

  • Por Agencia EFE
  • 28/04/2015 16h33

Noemí Jabois.

Katmandu, 28 abr (EFE).- Com poucos recursos, o Nepal luta contra o relógio para encontrar sobreviventes do terremoto e enfrentar um desastre que já superou as marcas de cinco mil mortes e oito milhões de desabrigados, enquanto a ajuda internacional começa a distribuir alimentos e tenta chegar às regiões montanhosas mais isoladas.

O país asiático iniciou nesta terça-feira um decreto de três dias de luto pelos 5.057 mortos, 10.915 feridos e 454.769 refugiados, segundo a última apuração divulgada pelo Centro Nacional de Operação de Emergência, deixados pelo terremoto de 7,8 graus na escala Richter que atingiu o país no sábado.

A equipe das Nações Unidas para a Avaliação e Coordenação em Casos de Desastre (UNDAC) alertou que está se esgotando o tempo para encontrar pessoas com vida entre os escombros do Nepal, um dos países mais pobres do mundo.

Arjun Katoch, membro da UNDAC, informou à Efe que é pouco provável que após mais de 96 horas, prazo que terminou hoje, ainda possam ser encontradas pessoas vivas em meio à destruição.

Em discurso em Katmandu, o primeiro-ministro nepalês, Sushil Koirala, disse que as bandeiras serão hasteadas a meio-mastro durante os três dias de luto, sem mencionar o número oficial de mais de cinco mil mortos e que o balanço real pode ser de dez mil, segundo informação divulgadas ao longo do dia.

“Temos recursos limitados e estamos fazendo o melhor que podemos. Estamos tentando fazer o necessário”, afirmou.

Koirala agradeceu pelo apoio de organizações humanitárias como o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, que iniciou uma operação de emergência para distribuir comida a cerca de 1,4 milhão de afetados. A ONU calcula que oito milhões de pessoas foram impactadas pelo terremoto.

Essas 1,4 milhão de pessoas estão nas regiões mais danificadas e “precisam de assistência urgente durante os próximos três meses, com um custo de US$ 116,5 milhões”, segundo a entidade.

Outras organizações, como a Médicos Sem Fronteiras, já estão em Katmandu e começam a se deslocar às áreas mais danificadas, muitas delas em encostas de montanhas com difícil acesso devido a estradas destruídas pelos tremores de terra.

Enquanto as equipes humanitárias tentar chegar a elas, os primeiros feridos procedentes de áreas rurais começam a chegar como podem a Katmandu em busca de ajuda médica.

“Já começaram a chegar. Mas virão muito lentamente”, disse o médico Adhiya Singhal, do Hospital Teaching, que concentra a maioria dos feridos do desastre natural.

Uma enfermeira voluntária da ONG Nurse Teach Reach, Lucy Rowe, contou que a ajuda começou a chegar aos povos.

“Mas a maioria da ajuda é muito fraca. E muita gente ainda não foi contactada”, afirmou a enfermeira.

A Cruz Vermelha, que distribui pacotes de ajuda humanitária a 20 mil famílias em Katmandu, também está com dificuldades, segundo revelou um de seus oficiais, Rajendra Rokaha.

Milhares de nepaleses continuam nas ruas porque perderam suas casas ou por medo outros tremores. Enquanto isso, no aeroporto Tribhuvan da capital, centenas de pessoas, a maioria estrangeiros, aguardam no chão ou em intermináveis filas para sair do país, já que o tráfego aéreo continua saturado.

A jovem Sulochana Somal espera há três dias para voltar à Índia com o marido e o filho, enquanto outra compatriota, Lalit Agrawal, descreveu à Efe que “o aeroporto é muito pequeno” para atender tanta gente.

As más condições meteorológicas na maioria das áreas afetadas complicam os resgates fora de Katmandu, como no Everest, onde as avalanches após o terremoto deixaram pelo menos 18 mortos e 61 feridos.

Esse foi o terremoto de maior magnitude no Nepal em 80 anos e o pior na região em uma década desde que, em 2005, outro tremor causou mais de 84 mil mortes na Caxemira. EFE

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