Netanyahu diz que acordo deixa caminho livre para Irã conseguir bomba nuclear
Jerusalém, 8 abr (EFE).- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta quarta-feira que Israel considera que assim que o acordo pactuado pelas potências mundiais com o Irã entrar em vigor, o país não terá mais dificuldades para obter uma arma nuclear.
“Quando começar a valer o acordo nuclear, o tempo que o Irã levará para ter capacidade de obter a bomba atômica será zero”, afirmou, em uma aparente resposta às declarações feitas ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre o prazo que o Irã teria para desenvolver a arma nuclear assim que o acordo for fechado.
“Esse será o resultado inevitável da remoção automática das restrições, o que permitirá ao Irã alcançar a capacidade de produção (de enriquecimento de urânio) em escala industrial”, acusou Netanyahu durante uma visita ao deserto de Neguev, no sul de Israel.
Obama cifrou entre 13 e 15 anos depois da entrada em vigor do acordo nuclear o tempo que levará para a República Islâmica adquirir suficiente material físsil, imprescindível para a construção de uma bomba nuclear.
Em uma entrevista à emissora americana “NPR”, o presidente explicou que a razão para este curto espaço de tempo é que as centrífugas avançadas que o Irã terá desenvolvido permitirão enriquecer urânio a um ritmo significativamente mais rápido.
“Atualmente, o tempo para desenvolver sua capacidade é de apenas dois ou três meses, segundo nossas estimativas e inteligência” assinalou Obama.
“Portanto essencialmente, estamos comprando tempo, uns 13, 14 ou 15 anos”, argumentou ao justificar o acordo preliminar pactuado na semana passada em Lausanne, na Suíça.
O Diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA, John Brennan, disse na terça-feira que os opositores ao acordo com o Irã são “desonestos” quando dizem que ele ainda poderia permitir a Teerã construir armas nucleares.
Em uma conferência na Universidade de Harvard, Brennan garantiu que o pacto é provavelmente o mais realista que se pode conseguir.
“Aqueles que dizem que este acordo aplaina o caminho para que o Irã obtenha a bomba estão sendo totalmente desonestos, caso conheçam os fatos e compreendam o que um programa nuclear requer”.
Contudo, Brennan disse compreender que alguns críticos desconfiem e pensem que inclusive após o acordo final, que as partes se comprometeram a assinar até o fim de junho, o Irã ainda poderia “causar problemas” no Oriente Médio. EFE
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